Estamos em São Paulo
Descobrimos que Toronto é a versão gelada e "primeiro-mundista" de São Paulo. OK, as diferenças são muitas - você olha em volta, vê a neve, parques, a segurança de se andar nas ruas e as coisas todas funcionando como se espera que funcionem no Canadá. Toronto, além disso, é grande (tem 2,5 milhões de habitantes), mas quatro vezes menor do que São Paulo. Teoricamente, não tem nada a ver.
A semelhança é, na verdade, em relação à percepção que se tem das cidades, dentro e fora delas. Toronto não é muito querida no Canadá, assim como a capital paulista no Brasil. Descobrimos isso hoje, depois de assistimos a uma reportagem hoje sobre um livro chamado "Porque todos odeiam Toronto?", lançado recentemente.
Além de ouvir o autor do livro, o repórter foi a outras quatro grandes cidades canadenses (Vancouver, Calgary, Edmonton e Montreal) para saber o que pessoas de lá acham de Toronto. As respostas são incrivelmente familiares. Sobre os torontenses, fala-se que são "frios, arrogantes, egocêntricos, exibidos" e que "só pensam em dinheiro". Quanto à cidade, os adjetivos variam entre "suja" e "chata", um lugar onde não se pode ficar, apenas visitar. Dizem que no interior perguntam como que alguém pode viver em Toronto. "Lá é tão perigoso!". Claro, eles não fazem idéia.
Assim como São Paulo, Toronto se acha o máximo. Gosta de lembrar que é "o motor econômico do Canadá". Só que, assim como São Paulo, sofre com baixa auto-estima, sabe que tem problemas e que eles estão fora de controle - guardadas as devidas proporções (abrindo parênteses, a palavra "problema" tem um significado muito diferente no Canadá. Aqui, ela é sinônimo de buracos no asfalto, morte das focas cinzentas ou gripe do primeiro-ministro. É assunto para outra hora).
Nossa impressão até agora é de que gostamos daqui. Mas sabemos definitivamente que temos que aprender francês.














