Retrospectiva 11: Irlanda

Vai encarar os 92 metros de altura? Mais fotos aqui
Guinness, U2, James Joyce, Oscar Wilde, duendes verdes, pubs de gente bêbada. São muitas as imagens na mente quando alguém menciona a palavra Irlanda. Para nós, ficaram duas lembranças fortes: a beleza das Ilhas Aran e a alegre música de um pub na pequena cidade de Ennis. São lugares imperdíveis para quem deseja ir além de Dublin e seus city tours manjados.
Começar pelos principais pontos turísticos da capital irlandesa é, sem dúvida, uma boa maneira de se ambientar nesse simpático país, mas aqui vai um aviso. Se estiver com restrições financeiras, abuse do guia de viagens que trouxe na bagagem e de dicas de atendentes. A maioria das brochuras que estão sobre os balcões dos escritórios de informações turísticas, pasme, são cobrados! E se você tiver mais que um par de horas para seu passeio, dispense aqueles ônibus caríssimos e repletos de gente louca com câmeras neuróticas. Dublin é pequena e plana, dá para bater perna à vontade.
História era uma das suas matérias favoritas na escola? Você sempre quis saber mais sobre a Irlanda? Aqui vai uma dica de ouro: a Prisão Kilmainham, por onde passaram os líderes da independência do pais e toda a produção do filme "Em Nome do Pai". As cenas do Daniel Day-Lewis atrás das grades foram feitas lá. Mas o melhor do local é o trabalho dos historiadores ali empregados. Eles levam os visitantes para um excelente tour guiado e contam detalhes da história de um país sofrido que hoje vive um período de euforia econômica.
Falando nos tempos de bonança que a Irlanda vive, cuidado para não cair duro com os preços. Aquela prima pobre da Inglaterra já era! Agora são os ingleses que imigram para a Irlanda em busca de melhores oportunidades. Dublin vive um boom imobiliário assustador e tudo é muito caro, até supera os preços da Inglaterra e da Escócia.
Apertar o cinto é o jeito de esticar a viagem e conhecer lugares mais interessantes. As Ilhas Aran, mencionadas no começo do texto, são incríveis. Trata-se de um conjunto de três ilhas relativamente isoladas onde a primeira língua ainda é o gaélico. A maior atração é o forte de Dun Aengus, uma misteriosa construção circular à beira de um paredão rochoso de 92 metros de altura. Chegar perto da borda não é fácil, especialmente para quem sofre de vertigem nessas situações. O vento fortíssimo e gelado dificulta passos e palavras, mas a experiência de estar lá compensa qualquer esforço. Para quem é místico, o lugar é um sonho, pois não faltam lendas e superstições a respeito da origem de Dun Aengus. O assunto também é confuso entre estudiosos, mas a teoria mais forte é a de que habitantes teriam construído o forte somente para ostentar o poder da ilha. Como essa hipótese é muito sem graça, prefiro pensar em bruxas e rituais bonitos.
Terminamos a viagem na minúscula Ennis, uma das poucas cidades onde ainda é possível ver e ouvir música irlandesa de verdade. Basta ir a um dos poucos pubs por volta das 20h e esperar. Músicos locais e de outros lugares do mundo vão chegando aos poucos, se ajeitando em um cantinho qualquer. Há fãs do estilo musical que visitam a região apenas pela chance de ouvir e ser ouvido. É como uma roda de samba, onde o pessoal vai puxando mais cadeiras e entoando clássicos. No lugar de pandeiros, violinos. Em vez de garrafas de vidro acastanhadas sobre as mesas, longos copos de cerveja escura. Mas a alegria é a mesma, um pouco contida em rostos avermelhados e corpos compridos. Foi assim que guardamos a Irlanda, um país que finalmente pode sorrir.
Pontos fortes: as paisagens, a História e a amabilidade das pessoas. Fomos muito bem recebidos em casas de família, especialmente na agradável Galway.
Pontos fracos: a relação custo-benefício dos transportes. Os preços são de Primeiro Mundo, mas a qualidade das estradas é bem questionável: estreitas e totalmente remendadas. Fizemos o trajeto Ennis-Dublin (200 km) em incríveis 5 horas. Motivo: não há linhas diretas, mesmo assim a passagem era cara. O tempo lá consegue ser pior que na Inglaterra e na Escócia. Segundo um irlandês que conhecemos, chove 300 dias por ano em Dublin. Verdade ou não, ele não foi o único a reclamar das condições climáticas. Ou seja, dê uma olhada na meteorologia antes de pegar seu vôo para a Irlanda.
Bola fora: ir a pé para a Prisão Kilmainham. É longe e falta sinalização. Dublin peca pela falta de informação, mas felizmente sempre há pessoas para ajudar. Ah, e evite o serviço de ônibus para o aeroporto. É caro, atrasado, lotado e desconfortável. Não há venda antecipada de bilhetes em lugar algum e você tem que esperar 40 passageiros pagarem ao motorista para finalmente o veículo sair do lugar. Depois é Portugal que leva a fama...
Você não pode perder: a Prisão Kilmainham em Dublin, as Ilhas Aran na Baía de Galway e uma noitada num pub de Ennis.
Você pode dispensar: um passeio pela Guinness, a não ser que você seja fã dessa cerveja amarga e intragável. Dispense também a interminável caminhada para o estúdio onde o U2 gravou os primeiros discos. Vale apenas para uma foto de uma parede pichada. Melhor ficar dormindo num parque qualquer.

3 Comments:
A parte: Você pode dispensar, é hilária... só vc Má, pra ter esse humor sarcástico.
Taí, Irlanda também é um país que penso em conhecer, depois da Grécia é claro.
Cade a Polonia? Gostei tanto! Bejitoss da Drica <* *>
Pat
Vá para lá, você não vai se arrepender
Drica
A Polônia está no ar novamente
Beijos
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