terça-feira, setembro 19, 2006

Retrospectiva 6: Marrocos


O Museu de Marrakesh é um presente para os olhos, ouvidos e coração. Mais fotos aqui



Sabem aquelas imagens lindas do Marrocos que a gente vê em revistas de turismo? É tudo verdade! Aquele colorido que enche páginas de publicações especializadas está por todos os lados e pode, facilmente, ser captado por qualquer câmera simplezinha de um fotógrafo amador. Basta se soltar pelas estreitas ruas e sair à caça, sem medo. Mas é aí que a coisa complica.

Não é fácil ser turista de espírito livre, leve e solto no Marrocos. É preciso fazer uma força danada para se desarmar e deixar de lado a tensão inicial. Caso contrário, a fuga para a Europa será inevitável, o que seria um desperdício! Nosso médico, por exemplo, nos contou que, há alguns anos, foi conhecer Tanger, a cidade onde o pai dele nasceu. Não aguentou. Em poucas horas, estava de volta à Tarifa, na Espanha, com a promessa de nunca mais pisar em solo marroquino.

Conhecer o Marrocos é uma experiência incrível, mas não quero mentir e só falar da profusão de cores, cheiros e sons descritos em reportagens ou em qualquer brochura promocional do governo marroquino. Viajar por lá é difícil, especialmente se você não está acostumado com gente te abordando incessantemente ou só gosta de pacotes turísticos para fabulosos resorts. Lá, a gritante desigualdade social, tão conhecida por nós brasileiros, fala árabe e se veste com túnicas. E isso, meus caros, assusta.

Não é só o profundo abismo cultural que causa desconforto em marinheiros de primeira viagem. A abordagem pelas ruas, às vezes, se torna exaustiva. A cada dois passos que você der vai aparecer um sujeito sorridente para te oferecer qualquer coisa, de figo seco a haxixe. E como vai insistir! Em francês, espanhol, inglês, português, russo, grego ou mandarim, ele vai te dar tapinha nas costas, dizer que ama o Brasil e que o Ronaldinho Gaúcho é o melhor do mundo.

Escapar da habilidade para negócios tão famosa nos povos islâmicos não é tarefa fácil, mas passado o susto inicial, você vai tirar de letra. Basta se lembrar do Brasil ou pensar em como um turista europeu cor-de-frango-pelado deve se sentir no Nordeste. Pobreza sempre dói, onde quer que se esteja.

Para viajantes do sexo feminino, o primeiro contato com o mundo islâmico pode ser um pouco complicado. Apesar de o Marrocos ser um país ocidental, mulheres não frequentam locais públicos como cafés e não andam sozinhas. É verdade que muitas delas já podem ser vistas trabalhando em bancos ou em outras instituições, mas não se engane, isso é uma minoria exclusiva de grandes cidades. Mesmo que te digam que este é um país mais aberto, onde todo mundo é livre para trajar e agir como quiser, não acredite. Se você não quer ser engolida por olhos alheios 24 horas por dia, use roupas que cubram as pernas até os pés, calçados que escondam os dedos, mangas compridas e golas fechadas. Sua estadia por lá será muito melhor, pode ter certeza. A exceção é Marrakesh, a cidade mais turística do país. Você pode andar de manga curta, chinelo e bermuda em meio ao mar de turistas que forra a praça Djemaa El Fna que ninguém vai ligar.

Driblando as diferenças culturais e o choque inicial, Marrocos é imperdível. Causa fascinação imediata e seduz pela simpatia de seu povo. Nas cidades, aproveite para mergulhar na História e se perder pelas caóticas e divertidas medinas. Em vilarejos, guarde para sempre as paisagens deslumbrantes e o calor das pessoas. Será uma viagem intensa, disso você pode ter certeza.

Ponto forte: os cenários incríveis, a cultura, a História e a simpatia do povo.

Ponto fraco: a abordagem irritante feita a turistas e a óbvia falta de infraestrutura de um país pobre. Brasileiros conhecem bem isso, mas não custa avisar.

Bola fora: encarar viagens de ônibus. As estradas são péssimas; os veículos, sucatas e os itinerários, intermináveis. Já viu alguém fazer uma viagem de 100 km em 4 horas? Nós já, e ainda com cheiro de vômito no ônibus. Dê preferência a trem, avião ou taxi, mas cuidado. Os taxistas de lá conseguem ser muito piores que todos os picaretas que você já conheceu.

Você não pode perder: O deslumbrante Museu de Marrakesh e a Medersa Ben Youssef, com detalhes nas paredes que emocionam e nos lembram a fé desse povo. Não perca também a inacreditável praça de Djemaa El Fna com seus encantadores de serpente, músicos estranhíssimos (um deles toca violão com uma galinha na cabeça), contadores de histórias e performances malucas.

Você pode dispensar: a comida, digamos assim, pitoresca. Se você gosta de comida sem sal ou doce, é prato cheio, literalmente. Como não é nosso caso, sempre tínhamos um saleiro por perto. Juro que ainda não entendi por que se fala tanto da comida marroquina. Não sei por que, mas desconfio que isso não passa de invencionice de chefs da moda.

5 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Pergunto-lhe-lhe: eh um lugar que voce visitaria de novo???

11:48 PM  
Anonymous Anônimo said...

Oi, Martim e Marta

Se fosse só pelas fotos, o Marrocos seria imperdível.

beijos

5:18 PM  
Anonymous Anônimo said...

M&M! Tudo bem com vcs?!
Nossa, quanto tempo não é mesmo? Bom, aqui é a Elita, lá da Conerstone sabe... espero que vcs ainda se lembrem de mim!
Meu, o blog de vcs é demais, muito legal mesmo!
Tenho que concordar com TUDO que vcs disseram na retrospectiva do Canadá... Por isso, continuem postando pq já considerei isso como o meu próximo guia de viagens se um dia eu for pra Europa! hehe
A minha irmã ficou com a mesmíssima impressão que vcs tiveram da Itália. Ela foi igualmente mal recebida por lá e tudo mais... uma pena!
Enfim, é isso! Um bjo pra vcs e se cuidem!!!

11:31 PM  
Blogger Drica <* *> said...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

6:26 PM  
Blogger Drica <* *> said...

Vai lah Martita... tem uma missao pra voce hehe
http://coisas_da_drica.blogspot.com

O titulo eh: "Etiquetada"

bejitoss da Drica <* *>

6:28 PM  

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