Desilusão, desilusão...
Estou ouvindo "Dança da Solidão" na voz da Marisa Monte e pensando na tarefa ingrata que meu professor de inglês me deu anteontem. Ele pediu uma redação difícilima para entregar amanhã e e não tenho a menor idéia do que escrever. O tema? Como ser um jornalista de sucesso no Brasil.
Pensei em começar pelo beabá e dizer que um jornalista de sucesso precisa ler muito. Aí me lembrei daqueles editores de salários polpudos que nunca leram nem lista telefônica e desisti.
Já sei! Um bom jornalista precisa escrever bem. Hmmmmmm, melhor não. Conheci um sujeito que escrevia nu com acento e lecionava numa grande universidade de jornalismo. Outro professor do mesmo curso ficou boquiaberto quando um aluno explicou-lhe que se fala 1,5 milhão, e não 1,5 milhões.
Fiquei pensando naqueles clichês que me ensinaram na faculdade, mas todos me fizeram soltar um suspiro desanimado. Lembrei de uma das primeiras lições que tive, aquela que diz que todo bom jornalista é um curioso por natureza e que nunca pode parar de estudar. A teoria é linda, mas quando tentei fazer um mestrado financiado com dinheirinho do meu bolso, recebi um sonoro não. E minha amiga foi ameaçada de demissão só porque precisava sair no horário dela para ir às aulas do MBA.
Cansada de bater a cabeça, me perguntei: mas o que é um jornalista de sucesso? É aquele idiota que se prostitui por um jabá ou um carguinho mais ou menos? É aquela que sai com o editor ou que vai a festas com espelhos nas mesas mas não consegue escrever um lead ou achar o gancho de uma matéria? Se for esse perfil, me desculpem, mas eu quero ser uma jornalista fracassada. Viver nesse mundinho de textos ruins, pautas estúpidas, matérias rasas, chefes incompetentes e guerrinhas de vaidades definitivamente não é comigo.
Achei o lead! Um jornalista de sucesso no Brasil não pode ter escrúpulos. Se tiver, vai precisar de outra coisa: estômago forte, bem forte!
