Às vezes Toronto me surpreende. Mesmo sendo uma cidade grande, ainda mantém um ar interiorano em muitos lugares e situações.
Ontem fui ao supermercado para comprar ingredientes para o almoço e me deparei com uma funcionária no caixa estranhamente atenciosa para uma cidade grande. Quando ela viu um pequeno pacote de queijo na minha cesta de compras, não se conteve.
- Não leva esse queijo não, é muito caro!
- Como? - perguntei atordoada.
- Esse queijo está caro demais. Tem um igualzinho a esse por $1,97.
- Tem? Onde?
- Naquele corredor. Mmmmmm.... espera só um minuto.
Em seguida, a moça fechou o caixa, se levantou da cadeira e me acompanhou até a geladeira onde havia o tal queijo. Enquanto caminhava atrás dela pelos corredores do supermercado, senti vontade de rir. Onde já se viu uma funcionária me indicar o produto mais barato e ainda interromper seus afazeres para me mostrar onde ele está?
Na volta para casa, com o queijo baratinho na sacola, fiquei pensando no gesto surpreendente da funcionária e me lembrei de uma situação parecida que o Martim viveu no interior de São Paulo.
Certa vez, estávamos em Amparo e ele foi com o pai dele comprar pão para o café da manhã do dia seguinte. O supermercado estava prestes a fechar e havia poucos ítens disponíveis na padaria. Ao pegar um dos pães, ele ouviu a seguinte recomendação.
- Não leva esse não, está ruim!
- É mesmo?
- Está velho, está aí desde cedo. Se eu fosse você, eu não comprava! - disse a mulher, como toda a sua franqueza.
É, parece que achei um paralelo entre Toronto e Amparo!
Vida interiorana parte IIToronto ferve nas estações de metrô e nos cruzamentos mais importantes. Por volta das 8h, a Union Station parece a Sé, especialmente quando os trens chegam lotados de gente apressada, vindo das cidades vizinhas que compõem a Grande Toronto. Mas no final da tarde, outra cidade surge, especialmente nas regiões residenciais. São cadeiras nas frentes das casas, são esquilinhos correndo pelas calçadas e folhas secas riscando o chão.
Quando vejo a cidade assim, calma, penso nos velhinhos em cadeiras de praia nas cidades litorâneas do Brasil. Toronto tem esse mesmo ar no final da tarde, mesmo sendo o centro financeiro do Canadá. No bairro onde moramos, os vizinhos se cumprimentam e o dono da casa vai e volta do trabalho de bicicleta.
É por essa e por outras que o Canadá tem um dos melhores índices de qualidade de vida do mundo!
Vida interiorana parte IIINós também entramos no ritmo da cidade e almoçamos no quintal com o casal de amigos Mario e Meire.

O bebê da Meire está para chegar nos próximos dias. Estamos muito ansiosos, especialmente o Mario, paizão orgulhoso.

Os dois se casaram no final de julho em uma cerimônia muito bonita. Mais para frente publicaremos algumas imagens daquele dia especial.