terça-feira, setembro 27, 2005

As quatro estações


Acho que, como eu, a maioria dos brasileiros aprendeu que cada uma das estações do ano tem sua característica. Lembro da tia na 2a série me dizendo que primavera era tempo de flores, o outono, a época em que as folhas caíam, etc, etc. E quem não teve uma lição sobre isso aprendeu em desenhos ou filmes como as estações "deveriam" ser. Mas quem cresceu em São Paulo (ou em grande parte do Brasil) não nota muita diferença entre esses períodos - afinal, faz 31oC em junho (ou quase todo ano), o frio dura duas semanas, as árvores ficam verdes o tempo todo. E eu, por isso, nunca dei muita bola para essa história de estações.
Mas aqui no Canadá passamos a entender aqueles estereótipos, porque eles são reais. O verão terminou a semana passada e no sábado, tivemos que usar blusas pela primeira vez desde maio. E, andando na rua, você vê as folhinhas caídas pelo chão. O tempo muda radicalmente, já na primeira semana de outono. A foto prova a mudança.
Tem uma propaganda do KFC que começou a circular no fim de julho. Uma garota anda na rua e de repente, tem um acesso de pânico. Grita, olhando apavorada pro chão, como se estivesse vendo um monstro ou algo assim. A câmera vira e mostra a responsável: uma singela folhinha vermelha. O mote do comercial é: "aproveite, o verão está acabando". Eles sabem das coisas, agora entendemos.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Sabadão!

Dedicamos aos nossos bons amigos o nosso primeiro sábado inteirinho só pra nós.


Almoçamos no nosso chiquérrimo quintal com o casal de amigos Lúcia e Sérgio. Espaguete no prato, sorvete de sobremesa, suco No Name e muita, muita conversa. Quando nos demos conta, já passava das 17h e a Luh precisou nos deixar para torrar uma fortuna no shopping. Ai, essa gente rica!


Mundo, esta é a Jaqueline!
Esse anjinho estava mexendo as mãozinhas e abrindo os olhinhos de um jeitinho lindo quando o Martim bateu essa foto. Realmente ela é a cara do Mario, uma graça!



Pena que o Mario não saiu na foto. Ele tinha ido tocar no restaurante mexicano onde trabalha todos os sábados. Mas tudo bem, em breve tiraremos mais fotos da princesa e da família completa.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Bola pra frente

Continuo uma otimista incorrigível em todos os momentos. Todos!

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a


Pobretões em Beverly Hills

Protagonizamos mais uma cena de pobretões. Desta vez foi em Yorkville, os Jardins daqui de Toronto.
Nosso professor de inglês fez uma limpeza geral no armário e juntou um monte de roupas para doar para uma instituição de caridade. Sabendo que temos poucos casacos de frio, ele sugeriu que olhássemos aquele monte de sacolas empilhadas no corredor do apartamento dele. E lá fomos nós, revirar cachecóis, jaquetas e gorros de lã numa das últimas noites abafadas de verão.
Pouco depois, circulávamos pela Yorkville Avenue - a Oscar Freire deles - carregando dois sacos de lixo brancos entupidos de roupas da Campanha do Agasalho. Destoávamos dos Porsches, das Mercedes e do exército de mulheres com jóias no pescoço. Alguns olhares de estranheza eram evidentes e isso nos causava graça. Parecíamos duas crianças, sacudindo os sacos de lixo pela calçada.
Ainda tivemos a cara de pau de entrar na sorveteria mais badalada da região e sentar bem na porta, com aqueles dois volumes reluzentes. O Martim foi ao balcão para pedir um sorvete de blueberry, mas foi interrompido pelo atendente assim que começou a fazer o pedido.
- Espere um minuto. O avião está pousando.
Foi aí que nos demos conta que as pessoas estavam hipnotizadas pelas imagens, transmitidas ao vivo, de um avião com 145 pessoas fazendo um pouso de emergência no aeroporto de Los Angeles. Depois que a aeronave, que havia sofrido uma pane no trem de pouso, conseguiu parar no meio da pista, o atendente voltou aos seus afazeres com certo ar de decepção.
- Posso ajudá-los?
Aos poucos, a sorveteria foi se esvaziando. O assunto havia acabado, era hora de ir para casa ver outro drama no noticiário. A bola da vez era a prisão do sujeito que matou a vizinha desaparecida há mais de um mês.
Ah, a natureza humana...

Mau gosto de gente rica

E por falar em Yorkville, o bairro onde os endinheirados vêem e são vistos, vejam esta vitrine e tirem suas próprias conclusões.


Lembrei de um trecho do livro "Como me Tornei Estúpido (Martin Page, editora Rocco), que apesar de ingênuo, é engraçadíssimo.
Ele comprou belos ternos que serão motivo de risadas para as futuras gerações, mas que, no momento,difundiam a sua superioridade sobre o comum dos mortais, os que não têm os meios para exibir tamanho mau gosto com tão natural ostentação.

Somos tios novamente
Ligamos para a Meire, nossa grande amiga brasileira casada com o chileno Mario, e ela disse que já somos tios.
Jaqueline nasceu por volta das 22h de segunda-feira, 19 de setembro, e, segundo a mãe, ela é a cara do pai!
A menina veio ao mundo pelas mãos de quatro parteiras que trabalharam na casa da Meire. Sim, a Meire teve o privilégio de ser atendida por uma competente equipe do governo dentro do próprio quarto e não teve que pagar um tostão por isso. Coisas do Canadá!
Sábado iremos conhecer nossa nova sobrinha que será registrada com o nome da avó. A mãe do Mario chamava-se Jaqueline, mas ele nunca chegou a conhecê-la porque ela morreu quando ele era bebê. É uma bela homenagem, sem dúvida!

terça-feira, setembro 20, 2005

Confissões de adolescente

A lição dos últimos dias foi aprender a dizer não. Pode parecer estranho, mas dizer não é uma tarefa dificílima, ainda mais quando a gente está aprendendo a ser gente grande. Significa impor seu espaço, mesmo que para isso você tenha que aguentar cara feia e reclamação. Significa aprender a dizer, sem a menor culpa: não, não tô afim. E pronto!

Quando a gente é adolescente, diz sim para tudo, mas finge que diz não, que é rebelde. Aceita as chatices do povinho descolado e as marcas que aparecem nas revistas, seja de roupa, prancha de surf, guitarra ou computador. E não adianta dizer que com você foi diferente. Todo mundo passou mais ou menos pelo mesmo mecanismo, seja entre patricinhas, surfistinhas, metaleiros, nerds ou isolados. Todos nós ficamos imensamente inseguros naqueles tempos, sem saber direito onde pôr as mãos quando chegava a uma festa. Elas sobravam, penduradas nos nossos braços. Suavam. Restava os bolsos do jeans como refúgio ou a manjada dupla cerveja e cigarro. E assim se via a festa do alto, muita gente apoiada sobre duas pernas, uma garrafa de vidro marrom e um Marlboro.

Depois dos 20 e poucos anos, a história começa a mudar. Você começa a selecionar melhor os lugares onde frequenta, os filmes que vê, os livros que lê, a cerveja que bebe e os amigos com quem conversa. Aos poucos, a lista de telefones vai diminuindo, as festas deixam de tocar só porcarias e sua tolerância com gente mala cai a zero. E aí surgem os primeiros nãos, com mais força. Não gosto de sertanejo, não tolero uísque, não suporto patricinhas, não aguento papo de dona-de-casa, não suporto filmes com o Ben Affleck e quero matar gente que enche a boca para citar Weber sem ter lido sequer o xerox do capítulo completo para a prova.

Entre os 20 e 30 anos, a gente não é adolescente nem adulto. Para alguns assuntos, mostramos maturidade de poucos. Em outros casos, surgem aqueles olhinhos assustados, sofrendo com conflitinhos internos lá dos tempos da adolescência. Como dizer não? E se eles não gostarem da minha decisão? E se não gostarem mais de mim? E no meio desse embate, sai um sim, meio resmungado, seguido de um profundo arrependimento.

Depois que a gente aprende a dizer não, é difícil voltar a dizer aquele sim de vaquinha de presépio. Mas o maior desafio para pós-adolescentes e pré-adultos como eu é aprender a dizer não com cara de nada, sem a menor culpa. É reconhecer que algumas pessoas, hábitos ou atividades te fazem mal. Basta dizer não e segurar as pontas. Sem medo!

sexta-feira, setembro 16, 2005

Coisas do destino


Imagine-se numa cidade onde está acontecendo um dos maiores festivais de cinema do mundo, louco para assistir uns 10 filmes por dia. Você vê tudo pela TV, confere a programação pela internet, mas está mais liso do que pedra.
Agora vejam o que aconteceu comigo.
Semana passada, eu estava na loja onde uma amiga minha trabalha, jogando conversa fora enquanto as clientes davam uma trégua. Foi aí que apareceu uma moça de cabelos longos e jeans coberto de paetê, em busca de mais uma peça para o guarda-roupa. Papo vai, papo vem e ela contou para minha amiga que estava indo embora para a Espanha, mas tinha alguns ingressos para um filme de dança que seria exibido no festival. Acabou deixando as entradas para minha amiga e, em poucos minutos, deixou a loja com uma sacola cheia de roupas.
A grande coincidência dessa história é que esse tal filme de dança chama-se "Ibéria" e adivinhem qual é o tema principal? Sim, flamenco! Há mais de mil filmes sendo exibidos no evento e eu fui ganhar tickets justamente para o novo longa-metragem do espanhol Carlos Saura. Estava no lugar certo e na hora certa!
Ontem estivemos no suntuoso Isabel Bader Theatre para a estréia mundial do filme. Antes do filme, vimos uma apresentação ao vivo de uma coreografia do filme e um Saura muito sorridente com a recepção calorosa do público.
O filme é muito bonito, com uma cenografia incrível e imagens inesquecíveis. O ponto alto é a linda coreografia de Aída Gomez (foto). Ela faz um solo deslumbrante ao lado de uma fogueira ao som de uma música maravilhosa. Impossível não se emocionar. É verdade que há momentos arrastados e delirantes no filme, com aquele excesso de experimentalismo que às vezes dá nos nervos. Mesmo assim, vale a pena para fãs de dança, música e artes plásticas.
A nova obra do aclamado diretor foi aplaudida por vários minutos. Logo após a exibição, ele e parte do elenco (entre eles, Aída Gomez e Antonio Canales) subiram ao palco muito bem-humorados para responder perguntas do público. Foi um momento singular na minha vida, daqueles para nunca esquecer.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Momento de impaciência

Acabo de ouvir na CTV, um dos três principais canais de notícias do Canadá, que o país tem uma nova "Canadian Idol" (a versão local do programa "American Idol", por sua vez chamado de "Fama" no Brasil). A fulana, chapéu de vaqueiro, diz na entrevista: "espero ser um modelo de verdade para os adolescentes deste país, porque é isso que ganhar esse prêmio representa". Claro, bem adestrada, parece discurso de miss querendo a "paz mundial".
Mas eis que então ela interrompe a repórter para atender o primeiro-ministro do Canadá, que ligava para dar os parabéns. O primeiro-ministro, ligando de seu gabinete, para cumprimentar uma adolescente que não é nada pela suas não-realizações sem importância (por favor, alguém me diz que ninguém no Brasil ligou pros Zé Ninguéns que ganharam o Fama ou o Big Brother...)
Talvez o grande mal do Canadá é não ter do que falar. Isso inverte a ordem de alguns valores, às vezes. E dá nisso.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Receita contra o desânimo

Sabe aqueles dias que você tem um monte de coisas para fazer, mas só pensa em cair numa cama e dormir? Para esses momentos de desânimo, tenho uma receita que é tiro e queda: "Samurai", do Djavan, em doses cavalares.
Quando ouço essa música, voltando para casa, até caminho mais rápido. Gosto especialmente da versão ao vivo, não porque eu seja dada a gravações em shows, mas porque essa canção tem uma energia especial com aquele público enlouquecido. Ao ouvir essa faixa, me lembro da Raquel rindo da minha histeria no show do Djavan no Credicard Music Hall. Assim que ele pisou no palco, de roupa branca e braços abertos, rodopiando, ao som dos primeiros acordes dessa canção, eu quase perdi a voz. E minha irmã loira ria e ria da minha cara.
É uma boa lembrança, sempre penso nessa noite com carinho!

Mais música

Estamos viciados em Jorge Drexler. É verdade que a gente sempre gostou muito dele, mas aqui no Canadá, com fones de ouvido, parece que ele ainda faz mais sentido. Cantarolamos o tempo todo os versos doces e melancólicos dele como se eles explicassem muito do que sentimos.
Gosto muito da música "No Pienses de más", do álbum "Llueve":

No pienses de más
cuando te quedes sola.
No pienses de más,
no dejes pasar las horas.

La vida es así,
cambia el viento,
cambia la estación,
no siempre se encuentra
una razón..

No pienses de más

No esperes de mí
que venga y te lleve lejos,
no esperes por mí,
yo no puedo dar consejos.

No me hagas hablar,
no te traigo más
que esta canción,
yo no entiendo
ni a mi corazón..

No pienses de más

No me escuches
no ves que estoy dolido...
No me sigas,
yo también estoy perdido...

Y no todo se ve
mirando por una lupa,
no todo se ve,
no sé de quien fué la culpa,

nunca lo sabrás,
cambia el viento,
cambia la estación,
no siempre se encuentra
una razón..

No pienses de más


Diários
Falando em Jorge Drexler, assistimos novamente ao filme "Diários de Motocicleta". Para quem não sabe, ele compôs a música-tema do longa metragem e ganhou o Oscar de melhor canção.
Desta vez, vimos o filme em DVD e quase secamos de tanto chorar. Não sei, parece que ele ficou ainda mais forte. Ou estamos mais emotivos.

Para animar a festa!

Falando de coisas que nos fazem sorrir, vou contar sobre o festival que aconteceu no nosso bairro no último fim-de-semana. Durante dois dias, as principais ruas ficaram fechadas para os carros e abertas para todo tipo de manifestação cultural e comércio local. Havia de tudo: bares com mesas na rua, bandas, bexigas com formato de bichinhos, artesanato, roupas, comida, shiatsu, pintura e gente com todo tipo de cara. A festa lembrava bastante a Paulista ou a Sumaré fechada aos domingos, mas acho que aqui ela tem um aspecto mais comunitário que em São Paulo. Aqui o evento realmente mobiliza moradores e comerciantes das redondezas, pelo menos é o que sentimos.
No meio de toda essa festa ainda deu para fazer bons negócios. Durante o Festival de Cabbagetown, moradores fazem o tradicional Garage Sale, ou seja, põem à venda todas as velharias e quinquilharias (que funcionam) encalhadas na garagem por preços irrisórios. Foi assim que comprei um cadeira por 3 dólares, uma luminária por 1 dólar e um porta-revistas de ferro por 50 centavos.


Martim empolgado com a idéia de tomar um sorvete daqueles tradicionais carrinhos que a gente vê em desenhos


Moradores faturando uns trocados com objetos empoeirados e úteis para pobretões como nós :-)


Muita música e cerveja na festa que marca o finzinho do verão de Toronto.

Tem mais foto aqui.

segunda-feira, setembro 12, 2005

O ataque dos racoons

Ô, bicho do capeta!
Se tem uma coisa que adoramos em Toronto é o fato de estarmos no meio da cidade e ainda sim cruzarmos diariamente com dezenas de esquilos. Eles estão por todas as partes e isso nos faz ver que a natureza está integrada à "civilização" aqui (pelo menos para padrões paulistanos).

Mas à noite, essa comunhão entre cidade e mato traz muda um pouco de figura, porque saem os esquilos e entram bichos não tão graciosos. Morcegos, gambás, ratos... e guaxinins. Pra quem, como nós, só tinha visto guaxinim (aqui chamados de racoons) em desenho animado, onde até barata fica meiguinha, foi uma surpresa encontrar um bicho do tamanho de um cachorro gordo, que anda se balançando de um lado para o outro e é bem ranzinza e atrevido.

Outro dia, quando jantávamos no quintal de casa, fotografamos a invasão dos racoons à nossa área. Eles não estão nem aí, vão chegando mesmo, de olho na comida, até você afugentá-los. Mas isso não significa que eles vão embora, não. Os bichos te encaram e rosnam bastante antes de se mandarem, devagar, contrariados. É bom não se aproximar muito, por via das dúvidas.

Nunca deixem molho italiano dando sopa na mesa. Esse é o segundo prato favorito dos guaxinins, depois dos sacos de lixo, que eles reviram à noite, enquanto dormimos.

sábado, setembro 03, 2005

Vida interiorana

Às vezes Toronto me surpreende. Mesmo sendo uma cidade grande, ainda mantém um ar interiorano em muitos lugares e situações.
Ontem fui ao supermercado para comprar ingredientes para o almoço e me deparei com uma funcionária no caixa estranhamente atenciosa para uma cidade grande. Quando ela viu um pequeno pacote de queijo na minha cesta de compras, não se conteve.

- Não leva esse queijo não, é muito caro!
- Como? - perguntei atordoada.
- Esse queijo está caro demais. Tem um igualzinho a esse por $1,97.
- Tem? Onde?
- Naquele corredor. Mmmmmm.... espera só um minuto.

Em seguida, a moça fechou o caixa, se levantou da cadeira e me acompanhou até a geladeira onde havia o tal queijo. Enquanto caminhava atrás dela pelos corredores do supermercado, senti vontade de rir. Onde já se viu uma funcionária me indicar o produto mais barato e ainda interromper seus afazeres para me mostrar onde ele está?

Na volta para casa, com o queijo baratinho na sacola, fiquei pensando no gesto surpreendente da funcionária e me lembrei de uma situação parecida que o Martim viveu no interior de São Paulo.

Certa vez, estávamos em Amparo e ele foi com o pai dele comprar pão para o café da manhã do dia seguinte. O supermercado estava prestes a fechar e havia poucos ítens disponíveis na padaria. Ao pegar um dos pães, ele ouviu a seguinte recomendação.

- Não leva esse não, está ruim!
- É mesmo?
- Está velho, está aí desde cedo. Se eu fosse você, eu não comprava! - disse a mulher, como toda a sua franqueza.

É, parece que achei um paralelo entre Toronto e Amparo!


Vida interiorana parte II

Toronto ferve nas estações de metrô e nos cruzamentos mais importantes. Por volta das 8h, a Union Station parece a Sé, especialmente quando os trens chegam lotados de gente apressada, vindo das cidades vizinhas que compõem a Grande Toronto. Mas no final da tarde, outra cidade surge, especialmente nas regiões residenciais. São cadeiras nas frentes das casas, são esquilinhos correndo pelas calçadas e folhas secas riscando o chão.

Quando vejo a cidade assim, calma, penso nos velhinhos em cadeiras de praia nas cidades litorâneas do Brasil. Toronto tem esse mesmo ar no final da tarde, mesmo sendo o centro financeiro do Canadá. No bairro onde moramos, os vizinhos se cumprimentam e o dono da casa vai e volta do trabalho de bicicleta.

É por essa e por outras que o Canadá tem um dos melhores índices de qualidade de vida do mundo!

Vida interiorana parte III

Nós também entramos no ritmo da cidade e almoçamos no quintal com o casal de amigos Mario e Meire.

O bebê da Meire está para chegar nos próximos dias. Estamos muito ansiosos, especialmente o Mario, paizão orgulhoso.


Os dois se casaram no final de julho em uma cerimônia muito bonita. Mais para frente publicaremos algumas imagens daquele dia especial.