Retrospectiva 2: Montreal

A Velha Montreal é um bom exemplo do charme europeu da cidade. Mais fotos aqui
No Canadá, ouvimos que os torontenses preferem se mudar para Montreal quando se aposentam. Não é para menos, parece que todos têm simpatia por esta cidade cosmopolita, vibrante, linda, histórica, moderna, que respira cultura. Ouvimos piadinhas no lado anglófono deixando a província de Québec à vontade para se separar do país, desde que deixe Montreal no lado canadense.
Fomos duas vezes para lá, em maio de 2005 e em fevereiro de 2006, pegamos primavera e inverno e muito, muito frio. Mas nas duas vezes, nos apaixonamos pela cidade. Mesmo com -20ºC absolutos (mais o vento...), mesmo com metro e meio de neve, Montreal tem vida pelas ruas. Tem movimento na boulangeries, nos bistrôs, nos cafés. Tem sorriso no rosto na pessoas. Os franco-canadenses, que formam pouco mais de 50% da propulação da segunda metrópole canadense, se abrem mais. São mais amistosos e calorosos também.
E a cidade é linda. O centro histórico, uma grande área às margens do enorme rio São Lourenço, é forrado de prédios do século 18 e 19, muito bem preservados, com muitos museus na área celebrando as transformações que a passagem dos séculos causou na paisagem urbana. Montreal tem grandes centros culturais, recebe festivais internacionais de música (como o famosíssimo evento de jazz, em julho), teatro, cinema, dança e arte. A cidade tem parques por todos os lados, como não podia deixar de ser no Canadá, e, no verão, segundo nos disseram, ferve com o calor e de vibração.
Tem gente vinda de todas as partes do mundo por ali, mas o tipo de imigrantes que se vê é diferente dos de Toronto. Saem os paquistaneses e chineses e entram os africanos falantes de francês (argelinos, marroquinos, camaroneses). E a mistura com os residentes franceses e ingleses só ajuda a engrossar o caldo. Aliás, come-se bem, barato e variado, Jantamos comida salvadorenha num dia e tailandesa no outro. Um grupo de amigos nossos sai toda semana para comer em algum restaurante étnico - as opções são muitas: caribenhos, africanos, árabes, indianos, judaicos. E dizem que a noite lá também é imperdível.
Nos disseram que Montreal é mais "pobre" que Toronto, mais carente de serviços. Ela é levemente mais suja e desorganizada. E visivelmente mais viva. É certamente essa característica de ter sido eternamente mesclada que torna a cidade interessante demais. Por isso, qualquer pergunta sobre ela recebe de nós uma resposta suspeita. Somos fãs.
Ponto forte: a possibilidade de comer bem, a vibração da cidade e o calor humano mesmo com uma temperatura média 5 graus mais baixa que Toronto.
Ponto fraco: para quem veio de Toronto, é bom tomar cuidado na hora de atravessar a rua, porque nem sempre os motoristas dão preferência para o pedestre.
Bola fora: Parque Jean Drapeau no inverno. Não vá, nem que estejam distribuindo dinheiro. O frio é de doer.
Você não pode perder: o Quartier Latin, bairro estudantil, cheio de cinemas, restaurantes, livrarias, a Universidade de Québec em Montreal e a embasbacante Biblioteca Nacional.
Você pode dispensar: o Insectarium, a não ser que você ame insetos ou seja biólogo.

3 Comments:
Quase fui atropelada em Montreal. Levei businada varias vezes e ficava indignada... como assim um motorista businar para um pedestre?!? ha ha ha como a nossa percepcao muda com o tempo... Mas respondia a todos com um tchauzinho. :)
Tambem adorei a cidade, linda.
Essa também é a cidade preferida do Silvio Santos, que gostou tanto mas tanto que quando voltou ao Brasil lançou o tênis Montrrrrrreal!!!!
(lendas do rock!)
Beijão Lú!!!
Gé
Inspirador...Já que estou no processo de imigração para o Quebéc.
Esse clima de Europa combina mais comigo e estou mais inclinado a morar fora de Montreal, onde o francês é a língua única.
Essa retrospectiva, e o blog inteiro, está se transformando em uma espécie de guia de viagens pra mim.
Obrigado,
Emanuel Senna
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