sexta-feira, abril 21, 2006

Cores de Almodóvar

Nesta semana, vimos Madrid numa tela grande de Madrid. Assistimos "Volver", novo filme do Almodóvar, e foi uma delícia. Sair do cinema e dar de cara com a intensidade e as cores do filme é uma experiência sensacional. Tudo tem mais sentido e graça quando se vê de perto um pouquinho mais desse universo espanhol traduzido com tanto humor e inteligência pelo Almodóvar.

Para quem gosta dos filmes dele como eu, prepare-se. "Volver" é 100% Almodóvar, com todos os exageros, diálogos impagáveis, absurdos, críticas e imagens memoráveis. A Penélope Cruz, para quem eu sempre torci o nariz nos filmes de Hollywood, está ótima, o que me faz pensar que o problema nao era ela, mas os diretores e roteiros ruins que ela pegou. E a Carmen Maura, ah, a Carmen Maura! Ela arrasa, como sempre. Fazia muito tempo que a gente nao curtia tanto uma ida ao cinema. Ainda bem que existe o Almodóvar!

Joga bonito

Esse é o slogan da Nike para uma campanha estrelada pelo Ronaldinho Gaúcho. Ele é, de longe, a estrela absoluta do futebol espanhol, claro. Está em todos os jornais, em uma infinidade de comerciais que vao de iogurte a carro.

Nesta semana, fomos a um bar assistir Barcelona x Milan. Foi uma festa! Estavam todos lá, à espera de uma jogada perfeita, um momento de arte. E foi assim, de um passe perfeito do Ronaldinho, que saiu o único gol da partida.

Foi a primeira vez que vimos de perto a reaçao que o Ronaldinho causa nas pessoas aqui na Espanha. Basta ele tocar na bola e fazer uma firula para todos começarem a aplaudir ou rir. Impossível nao sentir orgulho. Ainda bem que temos o futebol, isso eles ainda nao tiraram da gente.

Dança bonito

Estou fazendo aulas de flamenco todos os dias aqui em Madrid, um sonho acalentado há anos. Estou na "Amor de Dios", a melhor e mais famosa escola da Espanha. O número de estrelas do flamenco por metro quadrado daquele lugar é de assustar. Há gente do mundo inteiro por aqui aprendendo um pouco mais dessa arte. Já conheci muitas brasileiras por aqui, entre elas, a Aline, cantora do grupo Rouge, lembram? Nunca pensei que fosse encontrar uma ex-Popstar no flamenco.

domingo, abril 16, 2006

Yo solo quiero caminar

Esse é o meu apelido no MSN Messenger há muito tempo. Esse é o nome da minha música favorita do Paco de Lucía. Esse é o meu estado de espírito na Espanha.

Estamos em Madri há cinco dias e isso, para mim, tem um significado muito especial. É a realizaçao de um sonho, é a concretizaçao de imagens criadas à noite, naqueles minutos que antecedem o sono profundo.

Madri tem sido assim, colorida, vibrante, feliz como nos meus sonhos. Acolhedora como o abraço que recebemos do Tiê e da Vanessa quando chegamos. Festiva como a gritaria de torcedores na Plaza Mayor na final da Copa del Rey. Preguiçosa como o fim de tarde que passamos dormindo na grama do Parque del Oeste.

A chegada, entretanto, nao foi exatamente receptiva. Amargamos mais de uma hora no trânsito dentro de um ônibus quente com um motorista desbocado numa avenida tao aprazível quanto a Marginal Tietê. Para piorar, todos os planos que fizemos em Portugal foram por água abaixo logo de cara. Mesmo assim, mantivemos o bom humor, afinal de contas, nao é todo dia que se pode estar em Madri num começo de feriadao ensolarado. E foi assim, aos poucos, que tudo foi entrando nos eixos e a gente foi se adaptando à nova vida em espanhol.

Por falar no novo idioma, o nosso espanhol vai muito bem sim, obrigado. Eu me sinto em casa e o Martim arrasa, mesmo sem nunca ter tocado em um livro de gramática. Coisas de Martim, a única pessoa que eu conheço que dá informaçoes para uma turista italiana sobre uma cidade que ele nao conhece falando um idioma que ele sabe pouco mais que meia dúzia de palavras. Quando me dei conta, lá estava ele, usando todo o seu italiano para explicar a uma senhora onde ficava o teleférico de Madri. E depois ele nao entende por que eu morro de orgulho dele.

E antes que termine o dia...

Feliz Páscoa!!!


Ei toelho!

terça-feira, abril 04, 2006

Fotos atrasadas

Já faz tempo que deixamos o Marrocos, eu sei, mas essas fotos são imperdíveis!


O deslumbrante Museu de Marrakesh...


e o pôr do sol na Medina


Pelada no Marrocos, só se for assim! (Chefchaouen, norte do Marrocos)


Fiel observa o movimento numa mesquita em Fes


Fonte de água em uma das bagunçadas vielas da Medina de Fes


O encantador de serpentes do Marrocos...


e o do Brasil!


Marta e Martim versão Marrocos. Ichalá!

segunda-feira, abril 03, 2006

Ora pois

Há dez dias estamos em Portugal e, sinceramente, estamos nos sentindo em casa. Depois da Grécia e do Marrocos, finalmente sentimos o alívio de entender boa parte do que está escrito por aí. Digo boa parte porque os menus dos restaurantes continuam tão indecifráveis quanto os da Grécia. Joaquinzinhos? Bitoques? Pregos? Entremeadas? Aos poucos vamos aprendendo o significado dessas palavras, como numa conversa com um garçom em Évora.

- Por favor, o que é Bacalhau a Brás?
- Bacalhau a Brás? Bacalhau a Brás é Bacalhau a Brás, oras...

Depois que dissemos que éramos turistas brasileiros e que a explicação dele não foi, digamos, muito clara, ele descreveu um dos pratos mais saborosos e simples que provamos aqui: uma grande gororoba com bacalhau, batatas e ovos. E pediu desculpas pela falta de didática.

Portugal tem sido assim, cheio de "causos", alguns episódios de leve rudeza e gente muito boa pelo caminho. Gente como o Victor e o seu João, dois leirienses que nos ofereceram carona de Tarifa (sul da Espanha) a Beja, no Algarve. Era tanta a amabilidade que, durante o percurso, nos deram lanche e até um CD de música brasileira.

Poucas e boas

Algumas constatações das nossas últimas semanas de viagem:

  • Temos cara de drogados
    Nunca nos ofereceram tanta maconha e haxixe como no Marrocos. Era dar dois passos para um sujeito colar na gente e começar a oferecer de tudo, especialmente em Chefchaouen, onde, segundo nos disseram, planta-se haxixe com autorização do governo.

  • Temos cara de marroquinos
    Especialmente eu, diplomada no quesito cara de tudo. Muita gente me abordava falando em árabe, o que explica a maneira estranha como eles me olhavam. Só agora fui entender que como eu parecia marroquina, mas me vestia de maneira inapropriada, era considerada assim, meio saidinha, para não dizer outra coisa.

  • Somos minoria por aqui
    A pergunta que mais ouvimos aqui em Portugal é se a gente veio para ficar. É que a invasão de brasileiros parece ter sido grande. Uma moça do Guiné foi até mais longe:
    - Vocês vieram para ficar?
    - Não, estamos só visitando.
    - É que tem muito brasileiro aqui.
    - É, mas a gente vai voltar ao Brasil.
    - Fazem muito bem!