segunda-feira, fevereiro 27, 2006
Comentarios rapidos e maldosos
O melhor e o pior da moda esta aqui na Italia. Ta bom, reconheco que nao sou muito ligada a moda e que acho o fim do mundo as vitrines horrorosas e carissimas da Dolce & Gabbana, Prada & cia. Mas é com a mulherada nas ruas que eu me divirto. Botas brancas (que deveriam ser banidas do planeta) com franjinhas, estampas de oncinha, bolsas douradas reluzentes e saltos altissimos tropecando nas ruas esburacadas de Roma. Morro de rir com as bizarrices das italianas, especialmente com aquelas que ficam com a maquiagem derretida debaixo de tanta chuva.
Japonesas fashion
Um pouco mais de veneno. As japonesas que estavam no nosso quarto demoraram quase duas horas naquela transformacao antes e depois que a gente ve na TV. Acordaram abatidas, cabelinho lambido e cara inchada. Duas horas, muito secador, rimel, gel, spray, sombra, blush e batom depois, elas pareciam dois mico leoes dourados. Cabelao enorme, saltinho e aquele jeitinho inconfundivel de japonesas em grupo com vozinha de Pokemon. Ah, as diferencas culturais.
Jacques Janine é aqui
E para terminar a sessao de maldades, aqui vai mais uma. Por que sera que todos os italianos jovens parecem cabeleireiros? Sim, eles tem cabelos modernosos (e horriveis), luzes, aquela cor de tijolo de bronzeamento artificial, o cavanhaque milimetricamente modelado e usam roupas justas, com a gola escancarada. No comeco, achei que estava no Trianon, mas depois me dei conta que é moda ser assim, exageradamente fashion. Na boa, é bem esquisito.
E chega de destilar veneno. Estamos adorando a Italia, é um pais lindissimo e caloroso, apesar do friozinho umido do fim de inverno e da chuva que pegamos na maior parte dos dias.
Um ano
Ontem, dia 26, completamos 1 ano fora de solo brasileiro. E hoje estariamos completando 1 ano exato no Canada. Esses 365 dias parecem um longo periodo, mas perto do que vivemos, parece apenas 1 ano. Sentimos que 5 anos se passaram. Como ja disse em outros posts, a contagem do tempo para quem vive fora é muito, muito estranha.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
Samba italiano
(Adoniran Barbosa)
Piove, piove (chove, chove)
Fa tempo que piove qua, Gigi (faz tempo que chove aqui, Gigi)

E io, sempre io (e eu, sempre eu)
Sotto la tua finestra (debaixo da tua janela)

E vuoi senza me sentire (e você sem me atender)
Ridere, ridere, ridere (ria, ria, ria)
Di questo infelice qui (deste infeliz aqui)
domingo, fevereiro 19, 2006
Terra Nostra
Estamos em Genova, na Italia, terra do meu bisavo e do melhor capuccino que ja tomei na vida! A sensacao que temos é que estamos numa novela do Benedito Ruy Barbosa. Nosso italiano esta a altura da Ana Paula Arosio na novela das oito, uma bela porcaria! Entendemos tudo o que eles falam, mas e pra falar? Graças a Deus eles usam as maos na comunicacao!
Esta chovendo muito, muito e mesmo assim estamos adorando. A temperatura varia entre 10 e 15 graus, praticamente verao para quem veio do Canada. E a comida é maravilhosa, sim senhor! Esse povo sabe das coisas: comida boa, arquitetura deslumbrante, sorvete de encher os olhos, vinho excelente e futebol na TV, graças a Deus!
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Paris, je t'aime
Paris esta me ajudando a enxergar algumas coisas. A primeira é que alma significa, necessariamente, desordem. Toronto para mim era uma cidade certinha, prospera e desalmada. Paris nao, Paris tem sangue nas veias, gente fervilhando, cultura pipocando e o velho e conhecido caos. Nao chega ao ponto de Sao Paulo, mas esta quase la. Ruas esburacadas, sacos de lixo na calcada, empurrao, buzina, mar de carros, tapumes limitando o vai-e-vem e aquele ventinho cheirando urina na entrada do metro.
Quem diz que Paris é so a cidade-luz, mente. Paris incomoda, entristece, fede. Talvez por isso ela seja uma cidade para artistas. Assim como a arte, ela causa algum tipo de reacao nas pessoas. E é exatamente isso que a torna viva, muito viva. E linda!
Nao vejo mais Paris apenas como uma capital elegante de croissants deliciosos e jardins apraziveis. Agora ela virou uma cidade bela e tao real quanto Sao Paulo. Um lugar de contrastes e, assim como Montreal, possivel de se viver. Nem intocada como Quebec, nem histerica como Sao Paulo, nem insossa como Toronto. Paris nao é sonho, é quase de carne e osso.
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Está chegando a hora do programa terminar...
Mickeeeey Mouse, Mickey Mouse...
(quem assistia Disneylândia na Globo sabe do que estou falando, dava vontade de chorar quando tocava essa música).
Bom, mas amanhã, dia 11, é nosso último dia de Canadá e este é nosso último post destas terras geladas. Agora, o nosso destino é a Europa e seja o que Deus quiser.
Aos amigos que ficam: obrigado, obrigado por tudo mesmo! Foi um prazer conhecer tanta gente boa e receber tanto carinho. Somos realmente gratos e queremos que vocês sejam muito felizes. Mario e Meire, Sérgio e Lucia, Gabi e Mike, Valéria e Dárcio, Clézio, Andrei, Tyson, Elsie, Meg, Julie, Ryan, tanta gente de coração enorme...obrigado mesmo!
E para quem pensa no Canadá como um possível lar ou um lugar para passar uma temporada, fica aqui nosso incentivo. Venham, nem que seja para um passeio. Feche os ouvidos quando gente tosca começar a falar mal daqui. Há diferenças sim, mas quem sai do país tem que estar preparado para novos desafios.
Fica aqui a nossa gratidão a esse enorme e multicultural país chamado Canadá. E todo o nosso carinho pelos amigos que moram aqui.

Até mais, amiguinhos!
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Estamos em outro país
Acho que cruzamos a fronteira e não nos demos conta. A ficha só caiu no final da tarde de ontem, no Cineplex do Quartier Latin.
Sentamos confortavelmente nas nossas poltronas para assistir Brokeback Mountain, quando veio a surpresa: aqui os caubóis falam francês. Isso mesmo, o filme era dublado, para nosso desespero. O Martim até que entendia alguma coisa e depois cochichava no meu ouvido o que diabos eles estavam falando. Mas na maior parte do tempo, ele fazia aquela cara de quem não está entendendo nada. E eu só lia as figuras!
Esta foi a segunda vez que eu assisti a um filme sem entender bulhufas. A primeira aconteceu na Bolívia, quando tinha 6 anos. Fomos ao cinema assistir Superman 3 e eu, que já sabia ler em português, ficava desesperada tentando acompanhar a velocidade das legendas em espanhol.
Ontem, quando saí do cinema, estava um pouco chocada. Nem tanto com o filme, que é tristíssimo. Estava surpresa com o exagero québecois nessa briguinha ingleses x franceses. Na minha cabeça, não faz sentido algum dublar em francês um filme num país bilíngue, bastavam as legendas. Mas numa cidade dividida por um muro invisível na avenida Saint Laurent, anglófonos e francófonos defendem seus pontos de vista de uma maneira um tanto dramática. E foi assim que descobrimos outro país dentro do Canadá.
Primeira vez
Fizemos outras descobertas nos últimos dias:
O mundo da patinação
Pagamos mico por uma hora num rink de patinação de Montreal. Graças a Deus não estávamos sozinhos no vexame. O marroquino Ryan nunca havia patinado e protagonizou conosco cenas hilárias de pouca desenvoltura sobre patins de hockey. Prometemos fotos patéticas em breve!
Os bonecos de neve
Fizemos o nosso primeiro boneco de neve anão, o Nicanor. Aproveitamos que a neve estava derretendo por causa da chuva e demos forma ao nosso filho canadense.

Nicanor, nosso pequenoto
Comida salvadorenha
Atacamos o primeiro prato de comida desde que saímos de Toronto. Um belo prato de pupusa de frango e queijo (massa de milho recheada), mandioca frita, salada e enchillada. Para acompanhar, o tradicional refresco de tamarindo do Chaves.

Marie, Julie, Meg e nós de pança bem cheia no "La Carreta"
Comida québecois
Nossa amiga Meg preparou um jantar québecois na casa da Julie e convidou os melhores amigos. Na mesa, cerveja La Balduc, carne de porco assada com molho de maple, purê de batatas e cenoura, ervilhas, queijos e patês típicos e, de sobremesa, um bolo tradicional também com maple syrup. Tudo ao som de música folclórica dançada por amigos bêbados às gargalhadas. Esse povo daqui sabe viver bem!

Acima: Meg entre nós dois. Abaixo: Simon e o namorado, Julie e Isolde. Detalhe para a mesa forrada de cerveja.
domingo, fevereiro 05, 2006
Montreal, ahhh, Montreal...
Mesmo cinzenta e coberta daquela neve gosmenta de dias chuvosos, Montreal continua linda, linda, linda. Tudo nos seduz aqui, dos diálogos incompreensíveis em francês às dezenas e dezenas de boulangeries, pâtisseries, cafés e bistros. Aqui o ar é bem diferente, as pessoas sorriem mais e os lugares ficam abertos até mais tarde. A impressão que dá é que eles não levam a vida tão a sério e isso é um alívio! Por outro lado, nem tudo é tão certinho e regulado como no lado inglês, mas acho que brasileiros estão mais do que acostumados com uma rotina desordenada, não é mesmo?
Nossos primeiros dias aqui estão sendo calmos, com longas caminhadas, vento no rosto, nariz congelado e lanches de supermercado. Estamos hospedados em um albergue dentro de uma escola de primeiro grau. Do quarto, ouvimos aquela gritaria da hora que toca o sinal para o recreio. Os passos vão e vêm, apressados, desordenados, pesados. Quando saio na janela, é aquela correria sem fim. As botinhas se afundam na neve, desajeitadas, graciosas. As toucas insistem em cobrir os olhinhos e os movimentos são curtos debaixo daqueles casacos gordos. Mas quem é que se importa com tudo isso? Elas correm e correm, com aquela gargalhada gostosa, as bochechas coradas.
Acho que estou com saudades dos meus sobrinhos.
Fefê, Mauricinho, Paty e Carolzinha: que saudades de vocês!

Criança é criança em qualquer lugar do mundo!






