sexta-feira, setembro 01, 2006

Retrospectiva 3: Paris


A beleza e grandiosidade de Paris numa tarde de inverno. Mais fotos aqui



Esta foi minha impressão da capital francesa, publicada no dia 15 de fevereiro de 2006.

"Paris está me ajudando a enxergar algumas coisas. A primeira é que alma significa, necessariamente, desordem. Toronto para mim era uma cidade certinha, próspera e desalmada. Paris não, Paris tem sangue nas veias, gente fervilhando, cultura pipocando e o velho e conhecido caos. Não chega ao ponto de São Paulo, mas está quase la. Ruas esburacadas, sacos de lixo na calcada, empurrão, buzina, mar de carros, tapumes limitando o vaivém e aquele ventinho cheirando urina na entrada do metrô.

Quem diz que Paris é só a cidade-luz, mente. Paris incomoda, entristece, fede. Talvez por isso ela seja uma cidade para artistas. Assim como a arte, ela causa algum tipo de reação nas pessoas. E é exatamente isso que a torna viva, muito viva. E linda!

Não vejo mais Paris apenas como uma capital elegante, com croissants deliciosos e jardins aprazíveis. Agora ela virou uma cidade bela e tão real quanto Sao Paulo. Um lugar de contrastes e, assim como Montreal, possível de viver. Nem intocada como Quebec, nem histérica como São Paulo, nem insossa como Toronto. Paris não é sonho, é quase de carne e osso."


Depois de três passagens por Paris, a opinião se manteve. A capital francesa continua encantadora e desconcertante. O movimento nos arredores da estação Barbès-Rochechouard desmitifica, choca e arranca da mente qualquer sonho de cartão-postal. Esqueça a idéia de se desligar do mundo. Em Paris, você vai se sentir mais inserido do que nunca. A forte presença de imigrantes de países africanos denuncia a ebulição social que a Europa vive depois de colonizações desastrosas e de muitas crises que se abateram. Os efeitos dessa velha e injusta ordem mundial estão lá, a olhos nus, lado a lado das admiráveis fachadas e dos lindos gramados. Não chega perto da gritante desigualdade social do Brasil, mas também está longe de "Disneylândias" européias.

Ponto forte: a efervecência cultural e as ruas. O melhor de Paris está no movimento urbano, não nos museus.

Ponto fraco: a falta de lugares para descansar ou para um piquenique nas vias centrais.

Bola fora: sair para andar em Montmartre depois de Brasil x França na Copa do Mundo. Na verdade, não tivemos escolha, mas sabemos que foi uma idéia de jerico.

Você não pode perder: todos os famosos cartões-postais e as maravilhas das boulangeries e patisseries.

Você pode dispensar: o atendimento dos funcionários do posto de informação turística de Gare du Nord. Só vale a pena passar por lá se você estiver precisando de mapas e folhetos. Os atendentes parecem tão entediados com a tarefa de receber turistas na cidade mais visitada do mundo que simplesmente te olham com desprezo e não fazem quase nada para te ajudar. Evite frustrações e apele para seu guia de livrarias. Ou siga a multidão de japoneses mais próxima.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

I liked a lot what you wrote Marta, you understand pretty well how Paris is...I will start reading some other articles later on as this one gave me "l'eau à la bouche". manue.

4:50 PM  

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