Retrospectiva 5: Grécia

Meteora foi, literalmente, o ponto alto da estadia na Grécia. Mais fotos aqui
A Grécia foi uma enorme surpresa para nós. E o mais curioso é que não fomos a nenhuma ilha, destinos óbvios para qualquer turista. Não era a época boa, o mar estava revolto e o vento congelava a espinha. Assim, resolvemos caçar destinos continentais, que não sabíamos quais eram. Com ajuda do guia, fizemos uma mistura de Antiguidade Clássica, com Idade Média Bizantina e séculos de fé ortodoxa – uma viagem incrível, inesquecível, que fez da Grécia um dos pontos altos da nossa andança.
Para começar, os gregos foram uma surpresa muito positiva. Nós os achamos muito simpáticos, calorosos e amigáveis. Quase todos falavam um pouco de inglês, pelo menos o suficiente para nos virarmos. E, se não falassem, também não hesitavam em nos ajudar.
Atenas, nosso destino inicial, tão mal falada pela maioria das pessoas que encontramos, foi um lugar legal. Sim, não tem muito pra ver ali além da Acrópole e do Museu Arqueológico Nacional. E, sim, a cidade é um caos, com um trânsito que faz crer que São Paulo é tão civilizada quanto uma cidade sueca. Mas curtimos bastante e tranqüilamente os bairros turísticos de Pláka e Monastiráki e as áreas não tão visadas assim.
A segunda parada foi Náuplia, primeira capital da Grécia independente no século 19 e cidade que confessamos nunca ter ouvido falar. Talvez por não termos expectativa, nos apaixonamos pelo pequeno balneário de casas “coloniais” coloridas (lembram um pouco Parati), gente simpática, ruelas e fortalezas a 900 degraus de pedra acima do nível do mar. Dali, fizemos visitas de um dia às ruínas de Micenas, que contam a pré-História da civilização grega, e Epidauro, um anfiteatro de 2 mil anos com capacidade para 15 mil pessoas e uma acústica incrível.
De lá seguimos para o sul, onde conhecemos Mystra, uma cidade do século 13 com construções bizantinas em ruínas muito bem conservadas, em meio a picos nevados impressionantes. Foi um mergulho num passado completamente desconhecido para nós, retrato bem vivo de uma cultura que nunca entra nos livros de História Geral do colégio.
A parada seguinte foi Delfos, rumo ao norte, onde ficavam o famoso oráculo dedicado ao deus Apolo e que chegou a ser o mais rico da Grécia Antiga. As ruínas ficam em encostas íngremes, local de mística milenar e uma energia incrível. Foi apenas uma prévia do que estava por vir. Depois de um dia inteiro de viagem de ônibus, chegamos ao nosso destino final: Kalabaka, cidadezinha ao pé de monstruosos blocos arredondados de pedra, esculpidos por vento e chuva ao longo de milhões de anos. Um terreno insólito para uma rede de monastérios cristãos-ortodoxos iniciados no século 14 e conhecida como Meteora.
O lugar parece saído de enredo de lenda, pois simplesmente não dá conceber como um punhado de monges eremitas conseguiu erguer as enormes construções em lugares tão inacessíveis – só se chegava lá numa rede puxada por um guindaste até o começo do século 20 - há 700 anos. E tudo atiça ainda mais a curiosidade quando você fica sabendo que as mulheres só entram lá vestindo saias (emprestadas na porta para as desavisadas), que é preciso andar mais de 10 km para visitar os 6 mosteiros num cenário lindíssimo e que eles foram até cenário de filme do James Bond. Uma experiência tão fora do comum que deve estar na lista de qualquer um em busca de destinos menos visitados, mas interessantes.
Para coroar tudo isso, depois de passarmos a sanduba de presunto na Itália devido aos preços extorsivos das macarronadas servidas em prato de sobremesa, comemos muito, muito bem na Grécia, em porções generosas e a preços baixos. O churrasquinho grego (lá conhecido por “giros”) nem é a atração, mas tem muito peixe, cordeiro, pratos com berinjela, salada com queijo feta – e azeite por cima de tudo. Dá para se esbaldar, pois nada é excêntrico demais para afastar a vontade de experimentar.
Nossa estadia na Grécia foi muito intensa e gratificante. Por isso, recomendamos fácil, fácil.
Pontos fortes: a História e sua assustadora diversidade, que vai da antiguidade clássica a monastérios cristãos-ortodoxos do século 14. A comida deliciosa e a amabilidade dos gregos também são dignas de nota.
Pontos fracos: o trânsito de Atenas e a falta de rotas diretas para pontos turísticos importantes. É preciso encarar um ônibus pinga-pinga e horas e mais horas de viagem para cruzar distâncias curtas.
Bola fora: ir a museus e outras atrações turísticas sem checar os horários. O Museu Arqueológico Nacional em Atenas, por exemplo, fecha às 15h na baixa temporada. Os horários são meio malucos e podem variar bastante de uma cidade para outra. Outra bola fora é correr esfomeado para o restaurante depois das 14h. Os gregos almoçam tarde e o risco de agonizar de fome na mesa até ser atendido é enorme.
Você não pode perder: os museus, em sua maioria gratuitos ou a preços simbólicos.. São muito bem conservados, deixando para trás até mesmo os italianos. E não perca Meteora, um lugar de tirar o fôlego, literalmente.
Você pode dispensar: passeios a ilhas na baixa temporada. O vento é cortante e ensurdecedor, o que torna a experiência muito desagradável. E se você tem colesterol alto ou sofre com o fígado, por favor, evite qualquer salgado vendido nos cafés.

4 Comments:
Estah me dando agua na boca essas retrospectivas. Otimas! Saudades. Bejitoss da Drica <* *>
Estou adorando as retrospectivas e as fotos tambem! :)
Beijos!
Come'? Nao tem mais retrospectiva, nao? Ainda tem uma listona de cidades ali do lado. :)
Beijos,
Lucia
Nossa, não sabia que vcs voltaram a escrever. Ia postar só no final das retrospectiva, mas não aguentei e postei aqui na Grécia. Você sabe que este país é meu sonho de consumo né? Bjs.
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