quinta-feira, junho 30, 2005

Alegria em dose dupla

Uma das melhores experiências que um brasileiro pode ter na vida é ver de fora do Brasil a Seleção ganhando da Argentina. É um prazer indescritível. A primeira vez que eu senti isso foi na final da Copa América ano passado. Martim, Elói e eu estávamos em La Paz (Bolívia), enfiados em um café lotado de argentinos assistindo, cabisbaixos, a derrota do Brasil. Aí veio a virada, e que virada! O Brasil ganhou nos pênaltis e emudeceu os eufóricos argentinos que estavam berrando na nossa orelha. Além de nós, quatro "brasileiros" gritavam, felícissimos, a vitória verde-amarela. Passada a adrenalina, fui falar com eles e descobri que se tratavam de bolivianos que detestam argentinos.
Para quem não sabe, na América do Sul é quase um hobby coletivo detestar os argentinos. Geralmente eles são considerados "muy creídos". E a história se repetiu ontem, quando o Brasil ganhou a Copa das Confederações. Nosso amigo colombiano Alvaro vibrou quando soube o placar da partida e disse que sempre torce contra a Argentina, ainda mais quando o Brasil está em campo.
A notícia da vitória do São Paulo sobre o River, em Buenos Aires, veio hoje e me deixou rindo à toa.

terça-feira, junho 28, 2005

Parada gay para toda a família

Eu nunca fui a uma Parada Gay na Paulista, mas sempre tive curiosidade de ver como é. Alguns amigos já me contaram detalhes da festa em São Paulo e eu fiquei imaginando as cenas divertidas que me foram narradas.
No último domingo chegou a minha vez de assistir à tão aguardada Parada de Toronto. A minha impressão? Para mim, parecia um desfile cívico ou uma Festa da Primavera. Em vez de um Mickey acenando sobre um carro, havia um fortão dançando num shortinho de couro. O momento de maior ousadia da Parada foi a passagem de um monte de homens e velhinhos totalmente pelados (eu disse totalmente). Um deles, segundo minha amiga, só dava tchauzinho com uma mão porque ele não tinha um dos braços. Confesso que nem reparei se havia algum maneta porque, me desculpem, fica difícil prestar atenção em braços numa situação dessas. Bom, acho que vocês conseguem imaginar a reação das pessoas. O público que se amontoava nas calçadas veio abaixo, claro. Mas a verdade mesmo é que tudo aquilo parecia mais divertido para quem estava assistindo debaixo da sombra com uma garrafinha de água nas mãos. A empolgação do pessoal que desfilava era à moda canadense, tão contagiante quanto a alegria da Parada de Saint Patrick Day a uma temperatura de -5 graus.
Enquanto me perguntava o motivo de uma festa gay tão morna, apesar do calor de 36 graus, olhei para o chão e encontrei uma das respostas. Não havia uma latinha de cerveja sequer, apenas toneladas e toneladas de garrafinhas de água vazias. Aqui é proibido beber ou vender álcool nas ruas, quem desobedece essa lei paga multa e pode ser preso. Isso não impede que os mais empolgados encham a cara com um líquido escondido dentro de uma inocente garrafinha de refrigerante, mas a embriaguez não fica tão aparente.
Outra característica da festa que me chamou atenção foi o fato de ter muitos velhinhos desfilando. Havia representantes da Igreja Anglicana, da Associação dos Pais Gays de Toronto e do Clube da Terceira Idade. Isso me fez pensar em um lado positivo dessa festa sem graça. Ela me pareceu uma celebração meio "família", apesar da ousadia típica dos gays. Tinha ares de festa democrática, para velhinhos e famílias quadradinhas, que trocaram o baseball na TV pelas cenas da Parada. Não sei se estou errada, mas talvez aqui a Parada Gay, depois de 25 anos de existência, não tenha mais ares de transgressão exagerada, o que torna, aos meus olhos, os gays menos estereotipados. Será que é otimismo demais da minha parte?

sábado, junho 25, 2005

Loucos por molho de salada

Aproveitando os belos dias de sol do verão canadense, decidimos almoçar no quintal. E lá fomos nós com nossos pratos, talheres e apetrechos para a nova mesa com guarda-sol, gentilmente cedida pelo nosso novo vizinho Paul.
Meia hora depois, com as barrigas cheias e as caras felizes, decidimos voltar para o interior da casa para cuidar dos nossos afazeres diários.
Alguns dias se passaram e nos demos conta que nossa garrafa de molho italiano para salada havia sumido. Procuramos em todos os armários e nada! Voltamos para o quintal e lá também não tivemos sucesso na nossa busca.
No dia seguinte o Martim encontrou casualmente o nosso vizinho Paul, que indagou:

- O molho italiano que estava no quintal era de vocês?
- Sim, respondeu o Martim, meio sem entender.
- É que os guaxinins que moram na árvore atrás de casa comeram todo o molho. Encontrei a garrafa jogada, toda mordida.

Nunca pensei que fosse perder o molho de salada para um bando de guaxinins safados...

sexta-feira, junho 24, 2005

Cidade colorida

Nesta semana, Toronto comemora o 25º aniversário da Parada Gay com um monte de eventos. E neste domingo será o grande dia com a Parada na Church Street (nome bastante apropriado para a avenida mais gay da cidade).
Tá aí algo que admiro bastante na população de Toronto: a reduzida ou quase nula homofobia. Claro que existem toscos em qualquer lugar do mundo, mas aqui, de maneira geral, os gays vivem tranquilamente, podem andar de mãos dadas e ostentam orgulhosamente bandeiras coloridas nas portas das casas. Agora, com a Parada Gay, o comércio está pegando carona no evento e impulsionando as vendas com vitrines em homenagem ao Pride 2005. Há arco-íris por todos os lados e as pessoas estão animadíssimas com a chegada da festa mais colorida do ano!
Mais informações: www.pridetoronto.com

quarta-feira, junho 22, 2005

Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto...

Semana que vem completaremos quatro meses de vida em Toronto. Para homenagear este marco, vou confessar antecipadamente algumas coisas que detesto no dia-a-dia dos canadenses. Tá bom, eu sei que Narciso acha feio o que não é espelho, como diz o Caetano. Mesmo assim, esta Narcisa aqui vai contar, sem vergonha alguma, o que não é espelho para ela.

  • Café
    Os canadenses bebem um líquido escuro, aguado e muito ruim que eles chamam de café. Para piorar, colocam sabores como baunilha, canela ou caramelo nessas bebidas ou adicionam gelo. Não que eu seja fã de café, longe disso. Mas na minha concepção, isso que eles bebem é tudo, menos café.

  • Esportes
    Nos telejornais esportivos, há basicamente quatro assuntos: baseball, futebol americano, hóquei e golfe. Preciso dizer mais alguma coisa?

  • Música Popular
    Aqui também tem popozuda em clipe de música ruim. O Top 10 é de chorar, vai de Backstreet Boys a Gwen Stefani (aquela Barbie ridícula do No Doubt, agora em versão mano). Ah, e agora tem um Frodo loiro chamado Kalan Porter que chora um hit grudento.

  • Moda
    Eu preciso contar isso! A maioria das roupas aqui são muito feias, excessivamente cítricas e com estampas de cortina de banheiro. Para piorar, as canadenses combinam as peças com maquiagem excessiva e esmaltes pavorosos. Isso quando não deixam à mostra os pés com esmalte pink descascado.

  • Carros
    Os meninos que me desculpem, mas a maioria dos carros em Toronto parecem banheiras. Sim, são caros, confortáveis, super equipados, mas muito grandalhões e sem graça. Só vi carros mais bonitos em Montreal, onde o gosto é mais europeu.

  • Decoração
    Claro que aqui há excelentes arquitetos e decoradores, mas as casas comuns têm papel de parede, móveis escuros, sofás das Casas Bahia e carpetes horrivelmente estampados. Quando nos mudamos, fui atrás de tecido para fazer uma cortina e quase caí de costas quando vi o mostruário de estampas. Ia de zebrinha a cavalinhos, juro!

    O bom gosto dos canadenses

    Pronto, já contei tudo o que detesto no gosto dos canadenses. Agora vou dizer o que adoro:

  • Cantos aconchegantes
    As coffee shops são aconchegantes, bem decoradas, geralmente têm boa música e uma infinidades de comidinhas gostosas e calóricas. Os restaurantes também costumam ser bem agradáveis com aquela cara de cantinho quentinho no meio do inverno. Se você andar pelas ruas e espiar dentro das casas, perceberá que a decoração delas tem essa mesma proposta.

  • Parques e jardins
    Todas as cidades prezam por grandes e lindos parques. Se há um cantinho dando sopa, você pode ter certeza que, em breve, surgirá naquele lugar uma pracinha para a comunidade, com florzinhas e playground. E todas as casas têm jardins e quintais arborizados com moradores muito atentos às novidades do mercado de jardinagem. Pena que alguns gostem de colocar anões de jardim!

  • O ócio
    Canadense não se mata de trabalhar. Deu a hora de ir embora, é tchau mesmo! Aos domingos não há metrô até as 9h da manhã porque a grande maioria das pessoas está roncando em suas casas. Depois das 18h de domingo também será difícil achar uma loja aberta. E nos dias de muito calor eles não pensam duas vezes antes de enforcar as últimas horas do expediente. Quem pode, escapa do trabalho o mais cedo possível para lotar algum parque da cidade.

  • O gosto pela educação
    A maioria aqui diz por favor, com licença e obrigado o tempo todo. O hábito é tão presente na vida deles que até o Michael Moore já tirou sarro disso em um dos seus filmes. Eles primam pela educação e isso é algo para se tirar o chapéu.

  • Farofar
    Aqui eles farofam sem a menor culpa. Fazem piquenique nos parques, almoçam a marmita a céu aberto e carregam bananas ou sanduíches em papel alumínio na bolsa. Isso é algo que brasileiro de classe média tem vergonha de fazer sei lá por qual motivo. Sempre fui marmiteira e assim aprendi a comer bem e barato. Viva a farofa!

  • segunda-feira, junho 20, 2005

    Cara de qualquer coisa

    Outro dia eu estava andando na rua com o Martim e percebi que um sujeito com cara de indiano que vinha no sentido contrário começou a me olhar com certa insistência. Como é de praxe no meu comportamento, meus olhos procuraram o chão. Mas ele não se conteve e disparou uma pergunta.

    - Você é indiana?
    - Não, respondi timidamente.
    E aí veio a pergunta mais absurda.
    - Tem certeza?
    - Claro que tenho, eu sou brasileira.

    Nesses 29 anos de vida nem sei quantas vezes já me perguntaram de onde eu sou. O mais engraçado é quando as pessoas arriscam alguns palpites. Mexicana? Espanhola? Colombiana? Peruana? Paraguaia? Indiana? Japonesa? Havaiana?
    Desde criança as pessoas sempre me olharam com certa curiosidade. Quando eu chegava ao ballet, as mães se cutucavam e ficavam tentando adivinhar de onde eu era, enquanto eu calçava a sapatilha em silêncio. Na escola, cada hora me chamavam de uma coisa, menos pelo meu nome. E ainda insistiam: "mas voce é mexicana, né". E pela nonagésima vez eu explicava em vão que meus pais são bolivianos, mas eu nasci no Brasil. Eu sabia que no dia seguinte eles iriam me perguntar a mesma coisa, de novo!
    Claro que aprendi a levar isso super na boa, já sei que muita gente não consegue diferenciar os países da América do Sul e mataram muitas aulas de geografia. Mas essa situação às vezes me faz pensar que não sou de lugar nenhum, como minha avó. Ela é boliviana filha de família italiana. E sabe qual era o apelido dela em Santa Cruz de la Sierra? Turca, vê se pode?

    quarta-feira, junho 15, 2005

    Como pôr no ar um telejornal grego

    Imaginem o desafio que é colocar um telejornal no ar sem entender uma única palavra do que os repórteres estão falando nas matérias. Pois é, eu vi isso acontecendo de verdade na Omni TV ao lado da minha amiga Gabi, que edita lá o jornal em português que vai ao ar todos os dias às 17h. Não havia uma pessoa sequer na equipe técnica que falasse português, mas todos pareciam super atentos a todas as reportagens. E lá ia Gabi coordenando o trabalho de uma coreana, uma chinesa e vários canadenses que pareciam super entrosados.
    Para quem não sabe, a Omni tem uma programação super heterogênea, com telejornais em cinco idiomas e programas para quase todas as comunidades que vivem aqui no Canadá. Foi impossível não pensar com desprezo nas guerrinhas entre equipes e redações dentro de uma mesma empresa. Se essas pessoas acham difícil trabalhar em equipe falando a mesma língua, imaginem se elas tivessem que cooperar com colegas que falam mandarim?

    Flamenco
    Saudades do flamenco! Para matar um pouco as saudades, peguei na biblioteca o filme "Flamenco", do Carlos Saura, para assistir. Lindo, especialmente a parte do Paco de Lucía e o sexteto (com o brasileiro Rubem Dantas, sim senhor). Assim que sobrar um dinheirinho eu volto para as aulas, ah se volto!

    segunda-feira, junho 13, 2005

    Nóis e o hómi parte II

    Atendendo ao pedido de nossa amiga Lucia Salvi, vamos ao relato feminino sobre o hómi. Olha, eu diria que ele é um senhor bonitão e muito simpático, se esforçando para fazer o eterno papel de galã trintão. Como disse nosso amigo árabe Fahad, o Michael Douglas é como o Harrison Ford, que já está nos 60 mas insiste em fazer personagens de 35, 40 anos. E haja maquiagem!
    Ah, e para delírio das mulheres fãs da série 24 Horas, o Kiefer Sutherland também estava lá, mas achei que um mico só para aquela noite já estava mais que suficiente e decidi não fazer uso da minha cara de pau de típica de jornalista para abordá-lo. A minha amiga Giovana bem que pediu para eu tascar um beijo nele, mas o Martim não gostou nada da sugestão dela.
    Agora vamos a algumas curiosidades:

  • Havia mais de 100 pessoas trabalhando atrás de casa e um monte de caminhões monstruosos parados na nossa rua. Era bem esquisito pôr o lixo para fora e dar de cara com aquela multidão de técnicos indo e vindo pela calçada. As gravações foram até umas 2h30 da manhã. Foi impossível dormir com toda aquela parafernália, mas quem é que vai querer dormir numa situação assim, tão insólita?

  • Os caras preparam a cozinha de um vizinho nosso para uma cena em que uma mulher está lá cozinhando, toda pimpona, quando a casa dela é invadida pelo Michael Douglas. Para a cena, eles deixaram uma taça de vinho na pia, uma tábua com legumes cortados, panelas no fogo e até gotas de molho de tomate pelo fogão. Quando o David (nosso vizinho) chegou em casa e viu toda aquela bagunça, ficou desesperado e logo pensou que o Roberto (o companheiro dele) não havia limpado a casa antes da produção chegar. Demorou um pouco para cair a ficha.

  • Uma banda de uma casa vizinha resolveu ensaiar bem no meio das filmagens, para desespero do diretor. Era só ele gritar "action" que o infeliz começava a tocar guitarra. Não sei como, mas a produção conseguiu, depois de muito tempo, calar aqueles malas.

  • Fofoca de vizinho: a produção pagou a bagatela de $6 mil por dia pela casa locada para as gravações por duas semanas. Agora façam as contas e vejam quanto o dono da casa embolsou com essa brincadeira. E mais, eles pagaram hotel para os moradores se alojarem durante esse período e ainda pintaram a casa. Por isso, se algum dia um produtor de Hollywood aparecer na sua casa, só pergunte onde você tem que assinar.

  • sábado, junho 11, 2005

    Nóis e o hómi

    Nao é montagem, não

    Bom, tínhamos dito que seria bem difícil receber o Michael Douglas e a Kim Basinger em casa, mesmo com eles filmando nos fundos de casa. Isso realmente se mostrou impossível, mas não nos impediu (ou impediu a Marta) de puxar o "hómi" de canto de pedir uma foto com ele. Eram 11h da noite, as gravações estavam à toda. Saímos no nosso pátio (o quintal de trás) e sentamos no banco para assistir à movimentação. De repente, o Michael Douglas estava ali, sentado no quintal do vizinho, estirado na cadeira, se concentrando para regravar uma cena curta, em que ele invadia a casa ao lado da nossa, perseguindo alguém.

    Foi uma situação muito esquisita, aquela de ficar quieto olhando pro cara, como se ele fosse algum bicho no zoológico. Mas essa atitude não foi exclusividade nossa, porque a vizinhança inteira estava com câmeras e binóculos em punho, observando a parafernália hollywoodiana instalada nos fundos de suas casas.

    Logo depois, quando a gravação da cena em questão acabou, saímos do quintal para ver como estava a área. Incentivados pelo vizinho (o dono da casa usada na gravação), que disse que o Michael Douglas era muito simpático, a Marta parou o homem e perguntou se podia tirar uma foto. Ele realmente foi muito atencioso, perguntou como a gente estava, agradeceu pela foto que NÓS tiramos, essas coisas. E aí fomos delicadamente enxotados pela equipe de produção, que disse que gostaria de não ser incomodada (mas ainda ficamos mais de uma hora por perto assistindo às filmagens).

    Foi tudo muito curioso, divertido, interessante. Vimos como é grande a produção de um filme americano, a quantidade de gente, equipamento e truques para realizar cenas simples, que às vezes nem ficam no filme depois da edição final.

    É uma experiência daquelas que nunca mais acontecem na vida.

    domingo, junho 05, 2005

    Agora temos sofá!

    Nossa casinha está cada dia mais completa. Agora temos um sofá de couro verde que combina "perfeitamente" com a mesa preta, as cadeiras amarelas e a cortina azul. Vida de estudante estrangeiro com pouca grana é isso mesmo! O sofá foi emprestado pelo dono da casa, assim como a TV e o microondas. Pela mesa e as duas cadeiras do Exército da Salvação nós pagamos $ 30 e a cortina nao é nada mais que um pano baratinho comprado numa liquidação. E é isso aí, estamos felizes da vida com nosso lar improvisado e utensílios a $1 cada. Quem é que se importa?

    Parafernália atrás de casa
    E já foi dada a largada para a gravação da cena de perseguição do filme "The Sentinel". A equipe de produção está trabalhando sem parar nos fundos do nosso quintal, até proibiram o estacionamento de carros em alguma áreas. A casa que será usada no filme até está mais clarinha, acho que eles pintaram a fachada nos últimos dias. Não quero nem pensar no orçamento desse filme, principalmente se ele for mais uma daquelas manjadas historinhas de ação que a gente se esquece 5 minutos depois de sair do cinema.

    sexta-feira, junho 03, 2005

    Animais perigosos

    Descobrimos dois animais "perigosos" que andam soltos pela cidade: os gambás e os guaxinins. Eu só conhecia esses bichos dos desenhos animados e do zoológico mas aqui eles estão por todos os lados, aterrorizando a população. Exageros à parte, os guaxinins até parecem bonitinhos em fotos, mas eles não têm nada de fofo. Eles destravam as lixeiras e mergulham nos sacos de restos de comida e papel higiênico, protagonizando uma cena um tanto nojenta. E ai de você se chegar perto desses infelizes. Eles pulam pra cima mesmo, sem dó nem piedade.
    Quanto aos gambás, bem, essa é uma história que nosso amigo Andrei nos contou. Certa vez, o cachorrinho dele teve a péssima idéia de correr atrás de um gambá no quintal de casa. Resultado? O pobre do cãozinho foi atingido no focinho pelo spray nojento do gambá. Para piorar, o totó foi levado para dentro de casa e aquele "cheirinho" entrou no sistema de ar-condicionado. Foram necessárias duas semanas para aquele arzinho fedorento sair da casa e ainda mais seis meses para o cachorrinho se livrar do cheiro insuportável. Por isso, repasso o conselho que recebemos: se encontrar um gambá pela frente, não faça nenhum movimento repentino que o assuste. Ele só exala aquele futum quando se sente ameaçado.

    Animal insensível
    E por falar em animais, vou contar uma de um animal que a gente viu ontem. Não, ele não era quadrúpede, não era peludo e nem fica solto pelos parques. Ele estava em pé, dentro de uma lojinha na Ossington, com cara de poucos amigos. Nós estávamos com nossa amiga Meire, que está grávida de quase cinco meses e ela estava desesperada para ir ao banheiro. Sabendo da típica incontinência urinária das gestantes, corri para o primeiro estabelecimento que vi aberto para pedir que ela usasse o banheiro. Foi ali que nos deparamos com aquele animal de origem chinesa que teve a ousadia de negar o banheiro para uma grávida. A história quase acabou em confusão e decidimos ir para outro lugar à procura de alguém com o mínimo de sensibilidade e sensatez. Felizmente encontramos uma pessoa que prontamente atendeu ao nosso pedido. Depois dessa, o que eu posso pensar daquela criatura chinesa? Será que vamos conhecer algum chinês que mude essa imagem que eles têm de grosseiros e insensíveis?

    Perigo, brasileiro à vista
    Esta história que nos foi narrada é digna de nota.
    Um brasileiro foi trabalhar na limpeza de um hotel chique de Toronto. No primeiro dia, o patrão pediu para que ele passasse vacuum (aspirador de pó) no local. "Deixa comigo!", respondeu o brasileiro. Quando o chefe saiu, ele ficou procurando o tal do vacuum, sem saber do que se tratava. Uma hora depois, o chefe voltou e ficou louco da vida ao ver que o serviço sequer havia sido começado. Foi aí que o brasileiro confessou não saber o que significava a palavra vacuum e que teve vergonha de perguntar. O chefe, então, resolveu dar outra tarefa para o recém-chegado: lavar o banheiro. E lá foi o nosso protagonista cumprir a tarefa à moda brasileira. E chuááááááááááááá, baldes e mais baldes de água despejados por todos os lados. Detalhe: os banheiros aqui não têm ralo no chão. O carpete do corredor começou a ficar ensopado, para desespero do rapaz que mais tarde ouviria um monte de gritos do chefe. Depois de enxugar tudo, ele foi colocar os panos para secar dentro da sauna, seguindo a recomendação do chefe. Para a infelicidade dele, os panos caíram na pedras da sauna seca e o local pegou fogo. Nunca mais esse brasileiro foi visto nas redondezas desse hotel.
    Essa história poderia ter acontecido com o Mr Bean e só não é mais engraçada porque é de verdade. Coisas de quem está começando sem a mínima noção de coisa alguma!

    quinta-feira, junho 02, 2005

    Casas no Canadá

    Estamos aprendendo um pouquinho sobre a estrutura das casas canadenses, construídas com a rapidez de moradias pré-fabricadas e projetadas com pouca (ou nenhuma) imaginação. A maioria delas é feita de madeira e, obviamente, está preparada para o rigoroso inverno do hemisfério norte. Conversando com nosso amigo Andrei ontem à tarde, descobrimos alguns detalhes interessantes:

    - todas as casas aqui têm porão porque elas não podem estar em contato direto com o chão, já que este congela no inverno (bem óbvio, mas eu não havia me dado conta)
    - os tijolinhos aparentes na maioria das fachadas são de mentirinha. Parece cenario de filme!
    - todas as casas têm aquecimento central e gastam muita (eu disse muita) energia para se manterem aquecidas. E no verão, os mais privilegiados sobrevivem com ar-condicionado pois as casas viram verdadeiros fornos
    - a maioria dos canadenses é super conservadora quando o assunto é casa. O Andrei nos contou da dificuldade que é inovar e apresentar diferentes propostas arquitetônicas. Eles querem tijolinho, carpete feio, papel de parede e casinha de Lego, sim senhor!

    O mais legal das casas aqui é que a maioria tem jardins e quintais lindos. Canadense que é canadense preza muito plantas e flores por todos os lados.
    O lado ruim: tudo, tudo mesmo, é feito de madeira e aqui gasta-se muito gás e energia elétrica. Eles têm máquinas para tudo, até para varrer folhas e dá-lhe desperdício! Eu fico me perguntando até quando esse estilo de vida da América do Norte será viável ambientalmente.

    quarta-feira, junho 01, 2005

    Superstars

    Nossa vida aqui em Toronto mudou radicalmente agora que somos amicissimos do Michael Douglas e da Kim Basinger. Eles estao filmando na rua de casa e agora vem sempre filar uma boia no nosso basement, onde conversamos sobre a vida, a familia, os projetos, a casa de campo em Vermont, essas coisas banais.

    Isso poderia ser real (claro, digamos que tem quase 102% de chance de nao ser) por um motivo curioso que tomou conta do nosso cafe' da manha de hoje: recebemos um comunicado da Comissao de Locaçoes de Filmes de Toronto avisando que nossa rua vai ser palco das gravaçoes de um blockbuster chamado "The Sentinel", estrelado pelos atores acima citados mais o Kiefer Sutherland (do 24 Horas) e previsto para ser lançado em 2006. A cena a ser filmada e' uma perseguiçao a pe' que sai da rua de tras da nossa e termina exatamente em frente ao nosso vizinho.

    A equipe avisa que vai precisar de estacionamento pra toda a parafernalia hollywoodiana entre os proximos dias 7 e 9 e que, por isso, os moradores podem ser requisitados a mudarem seus veiculos pra bem longe da area durante o periodo.

    Isso aqui em Toronto e' bastante comum. Ja' presenciamos uma outra gravaçao em uma discoteca numa area "cool" da cidade e soubemos que no verao isso fica ainda mais corriqueiro. O custo de gravar filmes aqui no Canada' e' bem menor que nos EUA. Entao os estudios vem pra ca', filmam o que precisam e fingem que e' Nova York, Chicago, Los Angeles.

    Nos disseram que ja' viram filmes que se passam nessas cidades em que, durante uma cena, de relance, voce consegue ver a caixa do correio canadense.

    Eles nao sao nada bobos.