domingo, julho 31, 2005

Desilusão, desilusão...

Estou ouvindo "Dança da Solidão" na voz da Marisa Monte e pensando na tarefa ingrata que meu professor de inglês me deu anteontem. Ele pediu uma redação difícilima para entregar amanhã e e não tenho a menor idéia do que escrever. O tema? Como ser um jornalista de sucesso no Brasil.
Pensei em começar pelo beabá e dizer que um jornalista de sucesso precisa ler muito. Aí me lembrei daqueles editores de salários polpudos que nunca leram nem lista telefônica e desisti.
Já sei! Um bom jornalista precisa escrever bem. Hmmmmmm, melhor não. Conheci um sujeito que escrevia nu com acento e lecionava numa grande universidade de jornalismo. Outro professor do mesmo curso ficou boquiaberto quando um aluno explicou-lhe que se fala 1,5 milhão, e não 1,5 milhões.
Fiquei pensando naqueles clichês que me ensinaram na faculdade, mas todos me fizeram soltar um suspiro desanimado. Lembrei de uma das primeiras lições que tive, aquela que diz que todo bom jornalista é um curioso por natureza e que nunca pode parar de estudar. A teoria é linda, mas quando tentei fazer um mestrado financiado com dinheirinho do meu bolso, recebi um sonoro não. E minha amiga foi ameaçada de demissão só porque precisava sair no horário dela para ir às aulas do MBA.
Cansada de bater a cabeça, me perguntei: mas o que é um jornalista de sucesso? É aquele idiota que se prostitui por um jabá ou um carguinho mais ou menos? É aquela que sai com o editor ou que vai a festas com espelhos nas mesas mas não consegue escrever um lead ou achar o gancho de uma matéria? Se for esse perfil, me desculpem, mas eu quero ser uma jornalista fracassada. Viver nesse mundinho de textos ruins, pautas estúpidas, matérias rasas, chefes incompetentes e guerrinhas de vaidades definitivamente não é comigo.
Achei o lead! Um jornalista de sucesso no Brasil não pode ter escrúpulos. Se tiver, vai precisar de outra coisa: estômago forte, bem forte!

domingo, julho 24, 2005

Lamentável

Acabo de ler no UOL:

'Admiro a polícia por cumprir sua função', diz ministro britânico

da BBC, em Londres

O ministro da Justiça britânico, Charles Clarke, disse só ter elogios e admiração pela maneira como a polícia cumpriu sua função no episódio que resultou na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, na sexta-feira, em Londres.
"Foi uma tragédia para Menezes e sua família, e eu lamento profundamente o ocorrido", afirmou Clarke, em entrevista à BBC. "Mas creio que a polícia está fazendo o melhor, sob as mais impressionantes condições, para fazer julgamentos difíceis e nos proteger. Por isso, eu os parabenizo."
Menezes, de 27 anos, foi morto à queima-roupa por policiais à paisana na estação Stockwell de metrô, no sul de Londres, na sexta-feira.


Estou perplexa! Será que esse sujeito diria o mesmo se os policiais tivessem atirado em um inglês?

quarta-feira, julho 20, 2005

Eu tenho uma irmã loira

Vocês não sabem, mas eu tenho uma irmã que não é a minha cara. Ela é loira, tem cabelos cacheados, pele clara e atende pelo nome de Raquel. Hoje esta moça faz aniversário e eu, daqui do Canadá, não paro de pensar nela, até atrapalhei o trabalho dela hoje à tarde só para ouvir a voz dela.

Por que ela é minha irmã? Porque dividimos histórias e sonhos nesses últimos 10 anos de uma maneira que só as irmãs de alma podem fazer. Nas duas redações onde trabalhamos juntas, vibramos a cada conquista alcançada e nos consolamos a cada tombo que levamos. Somente na frente dela eu pude chorar e entendi, pela primeira vez, que não suportava mais a vida que estava levando. Somente com ela eu consegui confessar minha paixão secreta e ter forças para continuar lutando.

Quando olho para trás, vejo a Raq nos momentos mais especiais da minha vida, nas viagens, nas baladas, nos porres, na vida de estagiária, no sono durante as aulas, nas trambicagens para assinar a lista de chamada das duas faculdades que fizemos juntas, nas compras pela Benedito Calixto, nos improvisos nos nossos apartamentos nos primeiros dias longe dos pais, nos lamentos sobre a vida, nas piadinhas pelo InstanTerra e, principalmente, nas estratégias de guerra para conquistar nossos namorados :-)

Estou longe dela hoje, mas tenho certeza que ela está bem, feliz da vida com seu amor, estreando a vida de tia coruja do Gabriel, batalhando na vida profissional e ajeitando a casa nova. Saber que ela está assim me deixa radiante, sei como algumas mudanças foram dolorosas e exaustivas para ela, mas como valeram à pena!

Raq, você é a irmã que meus pais não me deram. Mesmo longe, eu estou aí com você, para falar groselhas e cantar no seu aniversário com quem será, com quem será...
Um beijo grande!

terça-feira, julho 19, 2005

Dois tipos de países

Meu irmão Gerson me disse por telefone:

- Há dois tipos de países no mundo: os caóticos e os imperfeitos. Tomara que um dia o Brasil seja apenas imperfeito.

O caos tomou conta do cenário político no Brasil. O governo Lula nunca foi grande coisa, eu sei, mas agora a coisa está feia demais. Enquanto isso o Canadá discute apenas suas imperfeições, a eterna briga entre conservadores e liberais, o forte calor em Toronto, a possível greve das bibliotecas, a queda de 12 cavalos de uma ponte ou o caso do ator Jude Law com uma babá.

É por essa e por outras que adoro meu irmão!

domingo, julho 17, 2005

Festa estranha com gente esquisita

Hoje estava voltando para casa e quando passei em frente ao Allan Gardens (um jardim perto de casa), percebi que estava rolando uma festa lá. Como sou xereta, entrei no parque para ver o que estava acontecendo. De longe, avistei uma tendas brancas, balões vermelhos e pretos e um DJ sobre um palco tocando música eletrônica altíssima. Conforme fui me aproximando do evento, comecei a mudar de idéia sobre continuar xeretando o lugar. Fazia cara de normal, mas estava difícil não reparar nos homens acorrentados sendo puxados pelo pescoço e nas roupas de couro bizarras. Sim, eu estava no meio de uma festa sadomasoquista em plena luz do dia. Parei no meio do gramado, fiquei observando discretamente uns gordos peludos de colete de couro, mas percebi que eles estavam me olhando de um jeito estranho. Foi aí que percebi que minha figura de saia, regata e sandálias estava destoando naquele ambiente. Resolvi sair de fininho. Não adianta, eu sou careta demais para essas coisas!

sábado, julho 16, 2005

Não resisti

Entrei no blog da Drica e vi esse teste da revista TPM. para descobrir quem eu sou na série "Sex and City". Estava torcendo para ser a Miranda, que forma o casal mais lindo do mundo com o Steve (de longe, o mais sensato da série), mas segundo o teste eu sou a Carrie. Será que sou tão encucada quanto ela?
"Sex and City" é um dos maiores prazeres da minha vida aqui em Toronto. Quando estou em casa, não perco um episódio. Passa diariamente na CityTV às 19h e às terças a TBS passa dois episódios seguidos às 21h, com reprise às quartas, às 22h. E à meia-noite de sexta-feira a Bravo também exibe as aventuras e desventuras da Carrie, Miranda, Samantha e Charlotte.
No Brasil eu já havia assistido a todas as temporadas, aluguei os DVDs e revi as minhas histórias favoritas. Agora é a primeira vez que estou vendo tudo sem legenda, contando apenas com meu inglês razoável. Como já sei as histórias, fica muito mais fácil.
Sei que muita gente detesta "Sex and City", fala que elas são consumistas e que vivem muitas situações bobas. É verdade, concordo que elas às vezes são tontas, mas acho que não existe mulher alguma no mundo que não se identifique nem um pouquinho com as histórias vividas pelas quatro. Só se for uma mulher que usa burka, sei lá.

Eles voltaram

Lembram dos nossos amigos de Hollywood que andaram fuçando nosso quintal com a desculpa de que estavam filmando "The Sentinel"? Pois é, eles voltaram esta semana para filmar mais cenas, mas desta vez nós nem demos bola. Sabem como é, com o tempo a gente se acostuma com a fama...
Os caras mandaram uma carta esta semana dizendo que teriam que gravar nesta sexta-feira, dia 15, e pediram mais uma vez a colaboração da vizinhança. E todo mundo colaborou mesmo, nenhum abelhudo apareceu para tirar fotos ou resolveu tocar guitarra para infernizar a vida do diretor. Uns 12 caminhões gigantes da produção estacionaram na nossa rua e nas redondezas e a barulheira voltou a reinar no bairro. Eu, abelhuda que sou, obviamente quis dar uma espiada nas filmagens e quase tropecei nos cabos que passavam dentro do nosso quintal. Quando saí, um loiro da produção veio me perguntar se estava tudo bem, se eles estavam atrapalhando. Respondi que estava lá apenas para olhar e ele disse para eu ficar à vontade. Regalia de morador de Cabbagetown, gente fina é outra coisa!
Assisti apenas a uma cena em que dois policiais corriam com lanternas nas mãos procurando sei lá o quê. O que me chamou atenção foi o que estava escrito nos coletes dos atores: Secret Service (Serviço Secreto). Que tipo de agentes secretos são esses, que usam roupas que mostram que eles são de uma polícia secreta. Parece a placa "Esconderijo" do desenho do Pernalonga. Depois são os portugueses que levam a fama!
Enfim, quem quiser saber mais do filme com Kiefer Sutherland, Michael Douglas e a baixinha pentelha Eva Longoria (do aclamado "Desperate Housewives", que não dava um minuto de sossego para a produção), cliquem aqui: www.imdb.com/title/tt0443632/.

sexta-feira, julho 15, 2005

É tri, porra!!!

O título acima é uma homenagem a meu cunhadinho Elói, mais um sãopaulino felícissimo com a conquista da Libertadores na noite de ontem. Não vimos o jogo, mas estávamos loucos para saber o resultado. Até o corintiano Martim vibrou com a notícia. Lá em casa deve ter sido uma festa! E eu aqui, estou toda orgulhosa com o Tricolor.
É isso aí, Gi. Salve o tricolor paulista, amado clube brasileiro, tu és forte, tu és grande, entre os grandes o primeiro

terça-feira, julho 12, 2005

Calor de fritar os miolos

Quem diria que nós passaríamos tanto calor neste país famoso pelo frio rigorosíssimo. Estamos vivendo a semana mais quente deste verão e não dá a menor vontade de colocar os pezinhos para fora de casa. Às 7h da manhã, os termômetros marcavam 24 graus com sensação térmica de 30. Nesta tarde, estamos com 35 graus, sensação de 42 e umidade de 37%. Não há um ventinho para aliviar, está pior que o verão em meio ao concreto do centro de São Paulo porque aqui não há as nossas típicas chuvas no fim da tarde para refrescar (e inundar) a cidade. Para piorar, o governo está pedindo para que a população reduza o consumo de água e luz nesta semana de calor recorde.
Eta país para sofrer com clima! Quando não é frio demais, é calor demais. Bom, algum problema o Canadá precisava ter, né?

Os anos não passam à toa

Sempre achei que a idade traz alguma compensação. Não é possível que os anos somente tragam cabelos brancos e rugas, claro que deve ter algo bacana. E agora percebo que isso é verdade. Vejo meninas de 20 anos se desesperando com bobagens, metendo os pés pelas mãos. E pela primeira vez pensei em como é bom estar perto dos 30. Sei que a diferença de idade com essas meninas é pequena, mas ela já me permite enxergar muitas situações com mais serenidade. Claro que ainda me aflijo com muitas coisas que certamente faria uma mulher de 40 rir, mas foi bom demais sentir na pele que os anos não estão passando à toa. Pelo menos não para mim.

segunda-feira, julho 11, 2005

Sede de cultura

Sábado estava conversando com uma amiga da Luh na Festa Junina do EBS e ela me contou as experiências dela no primeiro ano em Toronto. Perguntei se foi difícil se acostumar com o frio no inverno e ela disse:
- Inverno a gente leva na boa, duro é se acostumar com a cultura.
Engraçado ouvir isso justamente agora. Estive pensando nisso nos últimos dias e percebi que tenho sede de cultura. Não aguento mais saber apenas de lançamento de Blockbuster e nem de ver a Gwen Stefani todos os dias em primeiro lugar nas mais pedidas. Quero música boa, não enlatados americanos. Quero uma agenda cultural boa e acessível. Tambem tenho saudades da TV brasileira. Não que seja grande coisa, longe disso, mas sinto falta daquele barulhinho familiar, das vozes conhecidas. Quando estou em casa na hora do almoço e começo a zapear os canais, me canso da programação. Nos momentos de maior desespero com o controle remoto, pergunto: ok, cadê o Globo Esporte?

Viciados em rankings
Sabem uma coisa que me intriga? O que faz os canais da América do Norte serem tão desesperados por rankings? Todos os dias há um sendo exibido, não importa que seja na CNN ou na Much More Music (a MTV daqui). Vai de "As Notícias Mais Chocantes de Economia dos Últimos Anos" a "Os 25 Artistas Mais Drogados da Música". Esses dias vi um ranking dos 45 discos mais importantes dos últimos 25 anos, liderado por Nevermind, do Nirvana. Tudo bem, esse disco é bom, mas como havia acabado de ouvir "Da Lama ao Caos" (Chico Science), pensei: esses caras não sabem de nada mesmo!

Flamenco
Falando em cultura, a boa notícia é que depois de quatro meses de jejum, finalmente voltei ao flamenco. Pesquisei muito, assisti a aulas em várias escolas e, enfim, achei a melhor professora de Toronto: a espanhola Carmen Romero. Tenho aula de compasso e técnica, sempre acompanhada pelo guitarrista Miguel de la Bastide. Minha alma agradece!

sexta-feira, julho 08, 2005

E foi dada a largada...

Começou a temporada da histeria coletiva. A pergunta que não pára de ser repetida é: o Canadá será o próximo alvo dos terroristas?
É verdade que o país está na lista do Bin Laden, isso nós sabemos, mas alguém poderia me explicar pra quê aterrorizar a população assim, gratuitamente?
Na CBC, uma das principais emissoras canadenses, o repórter questionava se os serviços de segurança estão preparados para uma possível tragédia e um representante do governo dizia em alto e bom tom que o Canadá será, inevitavelmente, alvo dos terroristas. O mais curioso é que, na mesma matéria, os canadenses entrevistados nas ruas se mostravam calmos e não viam motivo para tanto pânico. Ou seja, todo esse terror implícito na reportagem só estava na cabeça doentia de quem editou esse jornal.
Sabem uma coisa que me cansa em (mau) jornalismo? Esse "achismo" insistente de muitos editores. Eles acham que algo está acontecendo nas ruas e não são capazes de derrubar a matéria quando a reportagem apura que a idéia não passa de mero delírio. O sujeito insiste na pauta inicial, carrega nas cores na hora da edição e vai à loucura quando vê sua idéia irreal publicada. Para mim, a matéria que vi sobre a reação dos canadenses não passa de um "achismo" barato de um editor querendo ganhar audiência em cima do medo das pessoas.
Nem preciso dizer que a CNN só tem feito isso desde que as bombas explodiram em Londres. Nem uma série de atentados na capital britânica faz o jornalismo da emissora norte-americana parar de olhar para o próprio umbigo. Os âncoras canastrões apenas repetiam o que o Bush disse, o que os EUA vão fazer, o terror nas cidades americanas e a mudança do alerta antiterror do amarelo para o laranja. Assim é fácil ganhar audiência, até um mico amestrado faria isso.

quinta-feira, julho 07, 2005

O dia da "independencia" do Canada

Sexta passada, 1º de julho, foi o Dia do Canada, quando o pais fez 138 anos. Teve parada militar, celebracoes na TV, fogos de artificio, discurso do primeiro-ministro, festa por todos os lados. Os canadenses ostentam orgulhosos as cores do pais. Carregam bandeiras brancas e vermelhas nas camisetas, pins, chapeus, lencos ou simplesmente hasteiam uma delas na janela de casa. Eles gostam muito do pais deles.

No entanto, duas coisas nos chamaram a atencao nesse dia. A primeira e' que esse pais, uma potencia economica, um dos melhores em qualidade de vida no planeta tem apenas 138 anos de existencia. E sequer e' independente, independente, no significado da palavra que conhecemos no Brasil.

Eles continuam sendo "chefiados" pela rainha Elizabeth da Inglaterra, tem uma "governadora-geral" inglesa, que e' a representante da rainha aqui. E nunca se separaram da Inglaterra, como fizeram os EUA. Em 1867, eles assinaram um acordo que dizia que o bando de provincias sob dominio ingles acima dos EUA resolvia se juntar de livre e espontanea vontade sob um governo central com o nome de Canada'. E foi isso.

Agora, o que impressiona e' que um pais com essa idade seja assim como e' o Canada'. Superorganizado, desenvolvido, poderoso. E eu vou parar o inicio de comparacao com o Brasil por aqui.

A segunda coisa que nos chamou a atencao e' que os canadenses estao constantemente preocupados com o futuro do pais. Primeiro, porque em 15 anos mais da metade do pais sera' formada por imigrantes, o que cria uma certa tensao natural. Segundo, porque eles acham que Quebec, a provinica rica que fala frances, vai se separar do pais mais cedo ou mais tarde, fragilizando a unidade nacional.

Terceiro, porque eles sofrem de uma baixa auto-estima por terem sempre ao lado os EUA, como irmao mais velho e metido a besta. O Canada' lamenta nao saber se posicionar como nacao lider do mundo e nao consegue fazer nada sem se comparar de algum modo aos americanos.

Sao coisas de pais novo, achamos. Mas uma coisa que sentimos na pele, depois de sairmos do Brasil e virmos pro Canada', e' que todo mundo acha que seus problemas sao incrivelmente grandes. Aqui, vemos sempre nos jornais as pequenas tragedias irrisiorias do cotidiano canadense, noticiadas com um ar de "meu deus, onde vamos parar?". Nada como ter a perspectiva de que vem do terceiro mundo pra entender que as coisas nao sao bem assim.

Que jeito de acordar...

Acordamos hoje 'as 6h30 da manha. Liguei a TV e vi no canal de noticias: "atentado em Londres". Os canais nao tinham noticiais completas pra dar, o que piorava a situacao. Mantendo a calma e a confianca, tomei cafe' e sai' pra ligar pro Eloi, meu irmao, que esta' em Londres ha' 2 meses. Depois de duas tentativas, consegui falar com ele e saber que estava tudo bem.

Ele disse que uma das estacoes afetadas fica a algumas quadras de onde ele mora e que passou hoje, tres horas antes do atentado, pelas estacoes onde as bombas explodiram.

Que jeito de horrivel de acordar... o, mundinho esse o nosso.

quarta-feira, julho 06, 2005

Nomes estranhos

Outro dia o Martim e um amigo colombiano chamado Alvaro tiveram o seguinte diálogo:

Alvaro: Qual é o seu segundo nome?
Martim: Eu não tenho segundo nome, meu nome é apenas Martim.
Alvaro: Nossa que estranho! Os brasileiros têm uns nomes estranhos, principalmente os jogadores de futebol.

Achei curiosa a impressão do Alvaro. Eu tenho dois nomes e isso causa a graça entre brasileiros. Preciso explicar mil vezes que isso é bastante comum entre hispânicos e que meus pais, seguindo a tradição, deram nomes duplos aos filhos. Pensar que qualquer brasileiro que fosse para um país hispânico passaria o mesmo que eu passo me fez dar risada. Para eles, apelidos como Kaká, Robinho e Ronaldinho ou nomes como Romário e Rivaldo são esquisitíssimos.

Temos uma amiga brasileira que vai ter um bebê em breve aqui no Canadá. Ela não dará um nome inglês como Michael ou John, dará um nome brasileiro. Há quem discorde dela, que pense que a vida do filho dela seria mais fácil se ele tivesse um nome comum. Pode ser, mas isso é uma escolha muito pessoal e certamente, a cada vez que lhe perguntarem sobre o seu nome, ele vai sempre se lembrar de onde veio, assim como aconteceu comigo. E viva as diferenças culturais!

Saudades
Sinto muitas saudades das nossas famílias e amigos, isso eu não escondo de ninguém. Mas isso vem à tona com mais força quando sou surpreendida por uma música brasileira. Ontem estava distraída e, de repente, ouvi uma voz conhecida dentro de um café. Era o Milton cantando "Travessia". Impossível não se emocionar com a voz dele, especialmente nesta canção. Parei para secar as lágrimas, às vezes é difícil demais me conter.

domingo, julho 03, 2005

Solidariedade canadense

Quinta-feira vi uma cena que me chamou atenção. Eu estava esperando o streetcar e vi mais um drogado apagado no chão. Fazia muito calor e ele estava lá, todo esparramado ao lado das caixas de jornais. Um homem tatuado que passava por lá ficou comovido com a cena, abriu a carteira, tirou uma nota de 5 dólares e a colocou dentro da mão esquerda do sujeito que estava estirado na calçada. Alguns minutos se passaram, o homem começou a se mexer e a cédula de $ 5 caiu da mão dele. Preocupada, uma senhora que estava no ponto de onibus foi ajudá-lo. Tentou acordá-lo, a todo custo, para avisá-lo que havia dinheiro para ele. Em vão. O sujeito estava totalmente fora, apenas remungava e esticava o corpo magro pelo chão. Para reanimá-lo, ela abriu uma garrafinha de água mineral e a despejou sobre o rosto dele. Com muito custo, ela fez o rapaz abrir os olhos.
- Aqui você tem uma nota de 5 dólares que te deixaram, vá para casa descansar, disse ela, colocando a cédula dentro da camisa dele.
O rapaz apenas acenou com a cabeça, coçou a longa barba e voltou a dormir naquele calor de 33 graus.
Ainda existe muitas pessoas que não aceitam as cenas "normais" de uma cidade grande. Preferem não ignorar o próximo, por mais que ele esteja cometendo um erro e dão um tapa na cara de todo mundo, inclusive na minha.