O dia da "independencia" do Canada
Sexta passada, 1º de julho, foi o Dia do Canada, quando o pais fez 138 anos. Teve parada militar, celebracoes na TV, fogos de artificio, discurso do primeiro-ministro, festa por todos os lados. Os canadenses ostentam orgulhosos as cores do pais. Carregam bandeiras brancas e vermelhas nas camisetas, pins, chapeus, lencos ou simplesmente hasteiam uma delas na janela de casa. Eles gostam muito do pais deles.
No entanto, duas coisas nos chamaram a atencao nesse dia. A primeira e' que esse pais, uma potencia economica, um dos melhores em qualidade de vida no planeta tem apenas 138 anos de existencia. E sequer e' independente, independente, no significado da palavra que conhecemos no Brasil.
Eles continuam sendo "chefiados" pela rainha Elizabeth da Inglaterra, tem uma "governadora-geral" inglesa, que e' a representante da rainha aqui. E nunca se separaram da Inglaterra, como fizeram os EUA. Em 1867, eles assinaram um acordo que dizia que o bando de provincias sob dominio ingles acima dos EUA resolvia se juntar de livre e espontanea vontade sob um governo central com o nome de Canada'. E foi isso.
Agora, o que impressiona e' que um pais com essa idade seja assim como e' o Canada'. Superorganizado, desenvolvido, poderoso. E eu vou parar o inicio de comparacao com o Brasil por aqui.
A segunda coisa que nos chamou a atencao e' que os canadenses estao constantemente preocupados com o futuro do pais. Primeiro, porque em 15 anos mais da metade do pais sera' formada por imigrantes, o que cria uma certa tensao natural. Segundo, porque eles acham que Quebec, a provinica rica que fala frances, vai se separar do pais mais cedo ou mais tarde, fragilizando a unidade nacional.
Terceiro, porque eles sofrem de uma baixa auto-estima por terem sempre ao lado os EUA, como irmao mais velho e metido a besta. O Canada' lamenta nao saber se posicionar como nacao lider do mundo e nao consegue fazer nada sem se comparar de algum modo aos americanos.
Sao coisas de pais novo, achamos. Mas uma coisa que sentimos na pele, depois de sairmos do Brasil e virmos pro Canada', e' que todo mundo acha que seus problemas sao incrivelmente grandes. Aqui, vemos sempre nos jornais as pequenas tragedias irrisiorias do cotidiano canadense, noticiadas com um ar de "meu deus, onde vamos parar?". Nada como ter a perspectiva de que vem do terceiro mundo pra entender que as coisas nao sao bem assim.

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