terça-feira, junho 28, 2005

Parada gay para toda a família

Eu nunca fui a uma Parada Gay na Paulista, mas sempre tive curiosidade de ver como é. Alguns amigos já me contaram detalhes da festa em São Paulo e eu fiquei imaginando as cenas divertidas que me foram narradas.
No último domingo chegou a minha vez de assistir à tão aguardada Parada de Toronto. A minha impressão? Para mim, parecia um desfile cívico ou uma Festa da Primavera. Em vez de um Mickey acenando sobre um carro, havia um fortão dançando num shortinho de couro. O momento de maior ousadia da Parada foi a passagem de um monte de homens e velhinhos totalmente pelados (eu disse totalmente). Um deles, segundo minha amiga, só dava tchauzinho com uma mão porque ele não tinha um dos braços. Confesso que nem reparei se havia algum maneta porque, me desculpem, fica difícil prestar atenção em braços numa situação dessas. Bom, acho que vocês conseguem imaginar a reação das pessoas. O público que se amontoava nas calçadas veio abaixo, claro. Mas a verdade mesmo é que tudo aquilo parecia mais divertido para quem estava assistindo debaixo da sombra com uma garrafinha de água nas mãos. A empolgação do pessoal que desfilava era à moda canadense, tão contagiante quanto a alegria da Parada de Saint Patrick Day a uma temperatura de -5 graus.
Enquanto me perguntava o motivo de uma festa gay tão morna, apesar do calor de 36 graus, olhei para o chão e encontrei uma das respostas. Não havia uma latinha de cerveja sequer, apenas toneladas e toneladas de garrafinhas de água vazias. Aqui é proibido beber ou vender álcool nas ruas, quem desobedece essa lei paga multa e pode ser preso. Isso não impede que os mais empolgados encham a cara com um líquido escondido dentro de uma inocente garrafinha de refrigerante, mas a embriaguez não fica tão aparente.
Outra característica da festa que me chamou atenção foi o fato de ter muitos velhinhos desfilando. Havia representantes da Igreja Anglicana, da Associação dos Pais Gays de Toronto e do Clube da Terceira Idade. Isso me fez pensar em um lado positivo dessa festa sem graça. Ela me pareceu uma celebração meio "família", apesar da ousadia típica dos gays. Tinha ares de festa democrática, para velhinhos e famílias quadradinhas, que trocaram o baseball na TV pelas cenas da Parada. Não sei se estou errada, mas talvez aqui a Parada Gay, depois de 25 anos de existência, não tenha mais ares de transgressão exagerada, o que torna, aos meus olhos, os gays menos estereotipados. Será que é otimismo demais da minha parte?

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Oi, Marta e Martim

Ainda esta semana li que o Canadá foi o terceiro país a oficializar o casamento gay. E a Cida me disse que hoje a Espanha fez o mesmo.
E, segundo a CBN, São Paulo faz a maior parada gay do mundo, seguida por Toronto.

9:15 PM  
Blogger Frontera said...

Gera
A votacao do casamento gay aqui foi acompanhada igual partida de futebol. Claro que o assunto ainda vai gerar muita polemica aqui, imagine so como deve estar na Espanha!
Beijos

4:51 PM  

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