terça-feira, fevereiro 07, 2006

Estamos em outro país

Acho que cruzamos a fronteira e não nos demos conta. A ficha só caiu no final da tarde de ontem, no Cineplex do Quartier Latin.

Sentamos confortavelmente nas nossas poltronas para assistir Brokeback Mountain, quando veio a surpresa: aqui os caubóis falam francês. Isso mesmo, o filme era dublado, para nosso desespero. O Martim até que entendia alguma coisa e depois cochichava no meu ouvido o que diabos eles estavam falando. Mas na maior parte do tempo, ele fazia aquela cara de quem não está entendendo nada. E eu só lia as figuras!

Esta foi a segunda vez que eu assisti a um filme sem entender bulhufas. A primeira aconteceu na Bolívia, quando tinha 6 anos. Fomos ao cinema assistir Superman 3 e eu, que já sabia ler em português, ficava desesperada tentando acompanhar a velocidade das legendas em espanhol.

Ontem, quando saí do cinema, estava um pouco chocada. Nem tanto com o filme, que é tristíssimo. Estava surpresa com o exagero québecois nessa briguinha ingleses x franceses. Na minha cabeça, não faz sentido algum dublar em francês um filme num país bilíngue, bastavam as legendas. Mas numa cidade dividida por um muro invisível na avenida Saint Laurent, anglófonos e francófonos defendem seus pontos de vista de uma maneira um tanto dramática. E foi assim que descobrimos outro país dentro do Canadá.

Primeira vez

Fizemos outras descobertas nos últimos dias:

O mundo da patinação
Pagamos mico por uma hora num rink de patinação de Montreal. Graças a Deus não estávamos sozinhos no vexame. O marroquino Ryan nunca havia patinado e protagonizou conosco cenas hilárias de pouca desenvoltura sobre patins de hockey. Prometemos fotos patéticas em breve!

Os bonecos de neve
Fizemos o nosso primeiro boneco de neve anão, o Nicanor. Aproveitamos que a neve estava derretendo por causa da chuva e demos forma ao nosso filho canadense.

Nicanor, nosso pequenoto

Comida salvadorenha
Atacamos o primeiro prato de comida desde que saímos de Toronto. Um belo prato de pupusa de frango e queijo (massa de milho recheada), mandioca frita, salada e enchillada. Para acompanhar, o tradicional refresco de tamarindo do Chaves.

Marie, Julie, Meg e nós de pança bem cheia no "La Carreta"

Comida québecois
Nossa amiga Meg preparou um jantar québecois na casa da Julie e convidou os melhores amigos. Na mesa, cerveja La Balduc, carne de porco assada com molho de maple, purê de batatas e cenoura, ervilhas, queijos e patês típicos e, de sobremesa, um bolo tradicional também com maple syrup. Tudo ao som de música folclórica dançada por amigos bêbados às gargalhadas. Esse povo daqui sabe viver bem!

Acima: Meg entre nós dois. Abaixo: Simon e o namorado, Julie e Isolde. Detalhe para a mesa forrada de cerveja.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Marta,
Os seus comentários sobre um outro pais dentro do Canadá são realmente verdade. Eu, cada vez que vou para aí, de carro, me sinto cruzando fronteiras. As placas passam do Ingles para o Frances do nada, depois veem os sinais das lojas, propagandas de bilboards e todo o resto! É realmente impressionante. Fora que eu me sinto um pouco atrapalhado e desconfortavel pois como não falo Francês, eu tenho que sempre me adiantar nas conversas em "soltar" o ingles antes que venham com o famoso "Bonjour". Portanto eu entendo vocês e sua situação no cinema. Boa sorte aos 2 na nova empreitada e se precisarem de algo daqui de Toronto, é só chamar.
Andrei

5:39 PM  

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