Eu acreditava em Papai-Noel
Sempre amei Natal. Desde criança, quando me perguntavam se gostava de Natal ou Ano-Novo, não pensava duas vezes.
- Natal!
Claro que a virada de ano também era divertida, com fogos, roupa branca e muitos abraços. Mas nada se comparava ao Natal, especialmente quando dava meia-noite no relógio da sala. Minha mãe apagava as luzes e alguém tocava a campainha. Sentia um friozinho na barriga, era como se um disco-voador estivesse prestes a estacionar em casa. Era quase isso. Aparecia um Papai-Noel de voz muito familiar, arrastando sacolas enormes do Mappin com um monte de caixas de presentes. Tudo era muito rápido e naquela confusão, eu nunca achava meu pai. Ele sempre desaparecia minutos antes da meia-noite, dizendo que estava indo comprar refrigerante sei lá onde. E eu, tonta como sempre, acreditava na lorota.
Descobri que aquele Papai-Noel de sotaque hispânico era meu pai de um jeito meio tosco. Era 24 de dezembro de 1984, por volta das 20h. Minha mãe me pediu para buscar chantilly na geladeira da casa da minha tia, que ficava no andar de baixo. Quando cheguei lá, me deparei com uma cena chocante: minha tia passando a roupa do Papai-Noel. Algumas lágrimas escorreram pelo meu rosto, mas me acalmei logo com as palavras da minha tia, dizendo que o Papai-Noel existe no coração das crianças. E por muitos e muitos anos, meu pai continuou a usar a fantasia vermelha e branca. O mistério deu lugar ao bom-humor. Quando já estávamos com 20 e poucos anos, dávamos cerveja para o Papai-Noel e colocávamos óculos escuros no nosso bom velhinho.
Bom, me lembrei disso tudo porque estamos no mês de Natal e a piração consumista já começou. Há rádios que tocam músicas natalinas 24 horas por dia, vendedores fantasiados de rena, gingerbread e candy cane por todos os lados e luzes enfeitando as ruas congeladas. Esse Natal vai ser bem diferente para a gente. Sem família, sem mesa farta, sem presentes, mas dessa vez a neve vai ser de verdade.

5 Comments:
Boa semana Lú !
Meu Papai Noel sempre deixava meu presente no mesmo lugar, embaixo de minha caminha...até que um dia vi meu pai colocando o violão que eu havia pedido ao bom velhinho no local já tão visado !!!
Depois de muito choro e inúmeras explicações de que ele só fazia o favor de guardar o presente por motivo da correria do Papai Noel ,ainda acredite dos 7 anos que eu tinha até os 9 aninhos...kkkk...
Espero que esta doce ilusão de Natal , de coelhinho na época da páscoa , eu possa manter por mais longos anos nas fantasias de minha pequena Luísa !!!
E muitas alegrias pra você lindona !!!
bjs e mais bjs
Pati
Lu,
vc esqueceu de dizer que acreditou em Papai Noel até os 11 anos...kkkkkkk!!!! Dessa, seus amigos não sabiam...ahahaha! E se esqueceu de dizer de como chorou, quando viu minha mãe passando a roupa do Papai Noel...kkkkkk! Beijos, minha irmã querida! Nelson
Lú
Tudo que nos acontece, nos dá alguma experiência ou desenvolve alguma qualidade em nosso caráter que estava esconcodida ou faltando.
À medida que nos aproximamos da Verdade, vamos encontrar muitas coisas que antes nos iludiam e que agora são simples, obrigando-nos a modificar nossa escala de valores.
Um cuidadoso exame de todas as nossas experiências passadas, pode nos revelar o fato surpreendente de que, tudo o que nos aconteceu, foi para o nosso bem.
Olha!, o resultado é "VOCÊ".
Beijos, muiiiitos beijos
Falando nisso e no que o Nelson disse, olha, não fui eu que inventei o porta jóias, tá? Beijão!!!
Gé
Que porta Jóias????
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