segunda-feira, novembro 28, 2005

Dia do meu herói


Meu pai curtindo a vida de avô na festinha da Carol


Novembro é realmente um mês muito especial. Começou com o aniversário da minha mãe e chega ao fim com os 65 anos do meu pai. Hoje é dia de festa lá em Santo André e aqui em Toronto. Na verdade, é dia de festa em um monte de cidades porque meu pai é daquelas pessoas que deixa uma legião de admiradores por onde quer que passe. As palavras dele se perpetuam, ficam na mente e no coração. É assim que tantos amigos lembram dele. É assim que ele está em mim, a tantos quilômetros de distância.

- Filha, uma pessoa pode perder qualquer coisa na vida, qualquer coisa. Menos a dignidade.
- Filha, há três coisas que deves escolher muito bem: o que comes, o que lês e com quem andas
- Filha, nunca gaste mais do que ganha. Nunca mesmo!

Essas frases e tantas outras foram repetidas incansavelmente por ele durante anos. O que mais me orgulho é pensar que essas palavras não foram apenas ditas, elas foram colocadas em prática por ele ao longo desses 65 anos. Seguiu à risca tudo o que foi aprendendo pelo caminho e conseguiu transformar sua própria realidade sem nunca se esquecer do velho ensinamento inca: Ama sua, Ama llulla, Ama kjella (não roube, não minta, não seja preguiçoso).

Essa é uma das maneiras que penso no meu pai daqui de longe. Um homem correto, que soube dar cada passo com uma sabedoria latente que é só dele. Mas se eu tivesse que resumir quem é meu pai, eu não falaria desse lado racional dele. Diria que ele é um homem que ama intensamente. Por trás da pose séria e das poucas palavras, existe um homem extremamente emocional, que chora e se abate feito criança quando o assunto é família. Por nós, ele é capaz de qualquer coisa. Encara abrir uma confecção, conserta máquinas de costura, aquece uma piscina pública só para os filhos nadarem, vira juiz de natação, professor particular de matemática, instrutor de auto-escola, diretor da Associação de Pais e Mestres, cozinheiro de acampamento e até faz tranças nos cabelos da filha. Se deixasse, ele até dançaria ballet se isso fosse me fazer feliz.

Ele bem que tenta esconder, mas não consegue. Vive dizendo que paixão é burrice e que é super-racional. Não adianta, pai. Eu sei que você é um apaixonado. Por nós. Por Deus. Pelos acertos. Pelos erros. Pelo país que escolheu. Pela vida.

6 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Lu, querida, as declarações de amor que vc faz para a sua família são de afagar a alma e encher os olhos de lágrima. Parabéns tio e tia pelo aniversário e pela filha linda que vcs puseram no mundo. Beijos.

7:41 AM  
Anonymous Anônimo said...

Lindas palavras Lú...Lindos sentimentos , acima de tudo !
Fiquei emocionada, realmente lágrimas escaparam dos meus olhos...se Deus ajudar-me farei de tudo para ser sempre tão bom exemplo para minha pequena Luísa , quanto seus pais foram pra vocÊs !!!

Tudo de melhor lindona !

Beijos

Pati

1:39 PM  
Blogger Dani Noyori (ou Nóia para os íntimos) said...

Má, toda vez que leio o brógui de vocês, choro como uma doida. De saudade. De vontade de estar aí. Hoje, estou chorando mais ainda. Parabéns para seu pai. Que família linda você tem! Agora está tudo explicado. Beijo

7:40 PM  
Anonymous Anônimo said...

E ai amiguinhos? Vao vir na festinha? yes, yes, yes?
De qq forma, estamos terminando a limpeza trimestral do apart, :) vcs ja estao intimados a vir aqui para um bate papo (jantar incluso, hehehe).

Beijos!

12:31 AM  
Anonymous Anônimo said...

Lu, tenho que reafirmar que vc é uma poetiza, eu e a Meire não conseguimos terminar de ler o seu depoimento sobre o nosso pai sem deixar escapar as lágrimas dos nossos olhos, da mesma forma foi com o texto que vc escreveu sobre a nossa mãe. Parabéns pelo seu dom.

Nós somso privilegiados por termos Pais tão especiais.

Muitos beijos deste seu fã e irmão, Raul. A Meire e a Ana Carolina tb te mandam muitos beijos.

6:41 PM  
Anonymous Anônimo said...

Pois é Lú, li hoje só teu texto sobre o babo e a mama. E só não chorei em ambos por dois motivos: porque estou na Fundação, e porque ora bolas, homem não chora!! (sério!). Muito lindo mesmo, como tudo o que você escreve, se um dia você não tiver uma coluna em algum jornal ou revista de grande porte, todos perderão, menos nós, que já temos nossa colunista da família, certo? E sobre nosso pai, é isso mesmo, um ultra-racional apaixonado, ou seria um ultra-apaixonado racional? E assim como pra você, meu mestre, mesmo quando discordo. Um beijão Lú!! Gé

10:31 AM  

Postar um comentário

<< Home