Rápidas e mal-humoradas
Depois de quase oito meses de trégua, ela está de volta. Hoje vimos neve pela primeira vez desde o final do inverno passado. Na verdade, sentimos, em pequenos flocos tocando nossos rostos, caindo lentamente sobre nossos casacos. Tudo teria sido mais bonito se não fosse essa minha garganta que não sara nunca. Aliás, ela é o motivo do meu mau-humor.
Made in...
É tanto "Made in China", "Made in Taiwan" e "Made in India" colado nos produtos vendidos aqui no Canadá que quase tudo perde o encanto. Às vezes me apaixono por um prato ou alguma besteira para casa, mas quando imagino um bando de chinesinhos trabalhando 14 horas por dia para produzir aquilo por centavos, me desiludo na hora.
Sempre gostei de ler os rótulos dos produtos. Na verdade, é quase uma obsessão. Vejo o nome do fabricante, o endereço e fico imaginando como aquilo foi produzido e transportado. Aqui no Canadá, estou me esbaldando com tantas novas informações em etiquetas, mas confesso que estou surpresa com a falta de miudezas genuinamente canadenses. Geralmente, elas são importadas de países pobres (ou em desenvolvimento, num termo mais tucanês) e embaladas para inglês, digo, canadense ver.
No Brasil, não sentia tanto isso, até porque temos nossos próprios coitados, não precisamos de tantos importados feitos com mão-de-obra miserável da Ásia. Mesmo assim, fomos inundados pela imensa quantidade de bugigangas e artigos eletrônicos típicos de Galeria Pagé.
Agora, no Natal, a coisa fica ainda mais assustadora. De luzinhas a bolas de cristal, quase tudo é fabricado pelos nossos amigos asiáticos. Aqui no Canadá, eles vão além. Fabricam imagens tipicamente norte-americanas como renas, bonecos de neve, alces, candy cane e gingerbread. Qualquer Papai-Noel gorducho com cara de Coca-Cola pode ter saído de uma oficina com ventiladores pifados de Nova Delhi.
Teimosia
Dizem que os taurinos são teimosos. Acho que é verdade. Vou parar de teimar e enfiar na cabeça de uma vez por todas que é hora de tratar as pessoas como elas merecem. Tem gente que não merece um esboço de sorriso, uma gentileza, nada! Tem gente que não merece atenção, muito menos preocupação. São pessoas que confundem simpatia com submissão, que acham que um sorriso lhes dá o direito de maltratar.
A lição do ano é ser legal apenas com quem é legal comigo. Será que dessa vez eu aprendo?
Socorro!
E para terminar, fica aqui uma pergunta:
Existe boa música italiana?
Meus pais que me perdoem, mas desconheço uma resposta razoável para essa questão que me atormenta. Enquanto ouvia pérolas como "Sapore di Mare" e "Io ti amo solo te", ficava me perguntando o que, meu Deus, se salva nas músicas que conheço. Rita Pavone? Pepino di Capri? Pavarotti?
Por favor, alguém pode mudar minha opinião?

1 Comments:
Oi má, quanto às músicas italianas, não conheço nada além das óperas "pop" de Pavarotti, então não posso opinar.
Mas quanto à mão-de-obra barata dos países "em desenvolvimento", nós não ficamos muito atrás não, pois compramos roupas híper baratas vendidas em centros próprios para isso como o Shopping da Luz e Brás, nos quais todos nós sabemos que o milagre do preço baixo deve-se apenas a mão-de-obra barata dos nossos vizinhos bolivianos, peruanos e até paraguaios, que fazem roupas "fashion" por apenas alimentação e moradia.
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