Estamos de volta - Parte II
Segunda-feira de sol tímido e temperatura máxima de 14 graus. Voltamos à vidinha de sempre depois de uma ótima viagem e de dias de muito estudo. Passei horas e horas na biblioteca estudando espanhol. Sim, isso mesmo, espanhol. Sábado fiz o teste do DELE (Diplomas de Español como Lengua Extranjera), mas antes fiz algumas provas dos anos anteriores para ver como era. Acho que não me saí mal na prova, o importante agora é que posso voltar a me concentrar em inglês novamente. Quanto à nota do DELE, ela só sairá daqui a uns três meses. Paciência...
Bom mesmo é que depois de tantos dias de poucas horas de sono, finalmente dormi muuuuuito. Ontem, só saímos da cama depois do meio-dia, maravilha!!!
Tico e Teco falhando
Depois de tantos dias pensando e falando em inglês, espanhol e português, meus dois neurônios começaram a falhar de verdade. O Martim, como sempre, me ajudou muito e começou a conversar comigo em espanhol para que eu pudesse treinar para a entrevista do DELE. Bom, vocês devem imaginar o resultado disso. Nunca tivemos conversas tão insanas como as dos últimos dias. Eu perguntava em espanhol, o Martim respondia em inglês e eu comentava a resposta dele em português. Não há cerébro que aguente três idiomas ao mesmo tempo.
Noite de sotaques
Depois de sobreviver ao DELE, ainda encaramos dois programas na noite de sábado: um jantar na casa da nossa professora e uma festa de um amigo. Como é de praxe em Toronto, ouvimos um monte de sotaques diferentes em poucas horas. Nossa professora nasceu no Paquistão, mas fala como canadense. O marido dela é sul-africano. Nosso amigo que deu a festa é coreano e estava acompanhado da namorada dele, que é suíça. Na casa dele, havia japonês, chinês, mexicano e árabe. Toronto é isso aí, meus caros!
Igualdade
Por falar em diversidade, queria contar algo que tem me chamado atenção. Ao contrário do Brasil, a biblioteca não é um ambiente para uma minoria jovem e abastada. Aqui você encontra gente idosa ou muito humilde dividindo espaço com qualquer estudante comum.
Na primeira vez que me sentei para ouvir Paco de Lucía na biblioteca, percebi que já havia visto em algum lugar o sujeito com cara de Benito de Paula que estava ao meu lado ouvindo CD. Na manhã seguinte, enquanto caminhava pela rua, descobri de onde o conhecia. Ele costuma abordar as pessoas para pedir esmola.
No mesmo dia o encontrei novamente, desta vez curtindo um velho e bom LP na vitrola da biblioteca. Sempre que eu o vejo ao meu lado, fico satisfeita. Pelo menos em um lugar do mundo, acesso à cultura é um direito de todos.

2 Comments:
Má, muito bom ler posts de vcs de novo. Eu entrava todo dia em busca de novidades! Melhor ainda saber que esses últimos dias foram maravilhosos. O sol ainda não deu as caras direito, né? Xii, mas daqui a pouco ele estará aí, pra esquentar (calientar? hihi) de vez. Coloquem fotos de Quebec e Montreal pra gente ver, vai. Saudade do casal M&M. Beijim da Nóia
Dani
O sol ainda nao deu as caras, so na terca passada que pegamos incriveis 27 graus em Montreal. Mas na madrugada seguinte, o frio voltou em Toronto: 0 grau com wind chill de -4. Esse tempo nos enlouquece! Vamos colocar fotos sim
Beijos
Raq
Todos os canadenses tem acesso ao sistema de saude sim, mas o atendimento nao e grande coisa. A populacao aqui reclama muito disso. Eu e o Martim sentimos na pele, quando precisamos de assistencia medica, que o sistema ta longe de ser um brinco, mas pelo menos todo mundo tem direito a ser atendido.
Ah, logo mais o Martim vai por as fotos. Beijos
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