segunda-feira, outubro 03, 2005

Voltei a ser mulherzinha!

Depois de meses de greve, finalmente deixei meu lado feminino vir à tona. Comprei um par de sapatos! Para quem não sabe, estive de mal das lojas femininas por muito tempo, mas me rendi a estas sapatilhas fofas com carinha de outono.

Pelo menos uma vez por semana, eu namorava esse parzinho numa loja do centro da cidade, mas não me atrevia a pôr a mão na carteira. Foi então que, um dia, Deus iluminou a cabeça do gerente da loja e ele decidiu colocar o meu sapatinho em liquidação. E foi assim que me deparei com a palavrinha mágica "Sale" na prateleira.

Isso seria impensável há alguns meses. Quando cheguei aqui, morria de medo de olhar para uma vitrine. Por curiosidade, uma vez entrei numa loja para saber quanto custava um par de Havaianas e morri de rir quando encontrei uma etiqueta escrito $25. Desde então, olho para o shopping com certo desdém, sempre acho um defeito na roupa (o que não é difícil) ou acho ridículo o preço cobrado por 90% dos produtos.

Imagino que essa história se repete com qualquer pessoa minimamente ajuizada (ou com um saldo bancário de mortal) que viaja ao exterior por muitos meses (ou anos). Quando ela percebe, está mais mão-de-vaca do que nunca, passando fome na rua para não ter que gastar nada num coffee shop ou se matando de andar pela cidade para não gastar com metrô. Mas a verdade é que não é só pão-durismo que te deixa assim. Quando a gente chega a um país estranho, a gente se apaga. Um gesto simples, como pedir uma informação, vira um suplício. A gente ensaia as frases na cabeça, mas quando abre a boca para perguntar, as palavras saem atropeladas, quase sem sentido. É como se a gente pedisse desculpas o tempo todo, mesmo que isso não fique aparente nos gestos e na voz. E assim a gente vai sumindo, em roupas neutras, poucas palavras e nenhum esbanjamento. A gente quer notar sem ser notado. A gente quer o mundo, mas tenta se resguardar como se estivesse em casa.

Foi preciso que o tempo passasse para eu entender esses sentimentos que movem um estrangeiro. É claro que, a cada descoberta, penso nos meus pais. Tenho certeza que eles já sentiram o que nós sentimos hoje e sabem que isso é parte de um caminho duro, mas muito gratificante.

Nosso hino

Por falar em estrangeiros, esse é o número 1 do Top Hits do casal M&M. Cantamos isso o tempo todo (as minhas partes favoritas estão em itálico).
Preciso dizer que é do Jorge Drexler?

FRONTERA

Yo no sé de dónde soy,
mi casa está en la frontera (BIS)

Y las fronteras se mueven,
como las banderas.
(BIS)

Mi patria es un rinconcito,
el canto de una cigarra. (BIS)

Los dos primeros acordes
que yo supe en la guitarra (BIS)

Soy hijo de un forastero
y de una estrella del alba,
y si hay amor, me dijeron,
y si hay amor, me dijeron,
toda distancia se salva.


No tengo muchas verdades,
prefiero no dar consejos. (BIS)

Cada cual por su camino,
igual va a aprender de viejo. (BIS)

Que el mundo está como está
por causa de las certezas (BIS)

La guerra y la vanidad
comen en la misma mesa (BIS)

3 Comments:

Blogger Lucix said...

Ah, pois e', gastei tanto dinheiro la no shopping que ate me cansei... hahahaha. Ate parece, fomos la comprar toalhas e lencois. :) Calma, que da proxima vez que eu for gastar parte da minha fortuna em downtown de novo, eu te aviso.

Entao, o meu cabelereiro fica aqui pertinho de casa, no North York Centre. O nome do salao 'e Ray Daniel e o cabelereiro e' o Simon.

Beijos!

2:12 AM  
Blogger Leila e Júnior said...

Oi, Marta

É verdade! Quando mudamos aqui para Angola fiquei impressionada com os preços...tudo em dólar e caríssimo. Hoje, depois de quase 2 anos, eu já sei os lugares que posso ($) ir ou não. Como aqui praticamnete não tem shopping facilita a vontade de comprar.rss

Agora falando em sapatos...eu amo sapatos.se pudesse tinhauma coleção deles, de qualquer tipo, qualquer preço.

bjo e bom final de semana,
leila

8:08 AM  
Anonymous Anônimo said...

Hype, hein? Parece até Marc Jacobs (óóóó). haha
beijos pra você, Marta!
Bom saber que continua tudo muito bem.

9:10 PM  

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