sábado, agosto 06, 2005

Será que estou menos mulherzinha?

Vocês já entraram em uma loja e sentiram vontade de comprar tudo? Eu já, especialmente na Mango do Shopping Eldorado ou na Terra Madre da Benedito Calixto. Ficava atordoada com as peças lindas e os preços altos e, em 99% das vezes, acabava saindo de mãos vazias.
A verdade é que sempre fui meio mão de vaca na hora de fazer compras. Raramente tenho acessos de loucura, talvez eles aconteçam uma vez por ano, quando um produto me entorpece. Foi assim com o relógio que comprei na Swatch do Shopping Paulista. Eu bem que relutei após ter me deparado com aquela edição especial de flamenco, mas não resisti. Em poucos minutos lá estava eu, feliz da vida com meu novo mimo no pulso, sem a menor culpa.
Mas como disse, episódios assim são escassos na minha vida. Geralmente pondero, me pergunto se realmente preciso daquele produto e, principalmente, se serei extorquida, especialmente quando o assunto é vestuário. Depois de passar anos na confecção da minha mãe, um coisa eu posso assegurar: o mundinho fashion é uma grande enganação. Sim, há estilistas talentosos e modelagens incríveis. Existem tecidos deliciosos e estampas lindíssimas, mas nada, absolutamente nada, justifica os preços absurdos cobrados. A oficina da minha mãe produziu muito para grandes marcas como Cori, G e Reinaldo Lourenço e, de fato, o corte das peças é perfeito, mas repito, sabendo do preço de custo: quem se sujeita à tabela das lojas famosas apenas está financiando a Jacuzzi alheia. A margem de lucro é estrondosa e as peças saem de confecções terceirizadas e das mãos de trabalhadoras humildes, sem glamour algum.
É por essa e por outras que não me deslumbro com a etiqueta presa nas roupas ou com o papel de seda dentro da caixa de presentes. Acho um escândalo pagar mais que R$ 100 num jeans num país como o Brasil e entupir o armário de peças da moda que sequer caem bem na pessoa. Quando era adolescente, a história era diferente, claro. Andava com tiarinhas da Pakalolo e achava o máximo ter uma calça com aquele raiozinho da Zoomp. Felizmente o tempo (sempre ele) me livrou da calça bag, das camisetas da Print Rip e da idéia cretina que só é feliz quem tem o guarda-roupa abarrotado de bobagens da moda. Mas agora sofro de outro mal: o de não conseguir comprar.
Parece bizarro, ainda mais vindo de uma mulher, mas é a mais pura verdade. Sinto isso já faz um bom tempo e a coisa piorou com os preparativos para a vinda para o Canadá. Só pensava em objetos práticos e corte de gastos, não via o menor sentido em comprar uma blusinha para o verão 2004-2005. Aos poucos, fui percebendo que as vitrines passaram a ter tanto efeito sobre mim quanto o de uma borracharia ou uma loja de escapamentos. Eu, que nunca fui muito chegada a passeios em shoppings centers, de repente me perguntei: meu Deus, será que estou virando homem?
Ontem fiz uma tentativa a conselho do Martim. Fui a uma lojinha bonitinha e descolada perto de casa para ver se achava algo. Música moderninha, vendedoras se achando na passarela, roupas bacanas, preços razoáveis e nada! Não senti vontade de levar uma pecinha sequer para o provador. Hoje tentei novamente, desta vez numa loja de sapatos, mas a experiência foi mal-sucedida.
Esse mal que me aflige piorou desde que empacotei minhas coisas para desocupar o apartamento onde morávamos. Quando vi a quantidade de roupas, bolsas e sapatos que acumulei nos últimos anos, me questionei se havia algum sentido naquilo tudo. Tá bom, eu sei que um sapato novo tem um efeito incrível sobre a alma feminina, mas tantos assim só podem ser sinal de uma pessoa tomada pela inércia consumista e sedenta desses tais efeitos incríveis.
Não entendo para quê comprar mais tendo tanto para carregar e não vejo motivo para acumular tendo tantos lugares, pessoas, cheiros e gostos para conhecer. Será que estou mais masculina ou meu espírito ficou mais nômade?

4 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Oi Marta...gostomuito do seu blog,acho os topicos bem interessantes...estou para te escrever algum tempo.Entramos com o processo em dezembro e ainda esta em andamento,mas mesmo sem uma definiçao concreta estamos procurando informaçoes sobre diversas cidades e bairros de Toronto,assim como gostariamos de saber mais sobre mississagua...se voce puder entrar em contato conosco,nosso e-mail e armazemdacidade@ig.com.br ou skype catiaa2001.
Obrigada,
Catia

7:38 PM  
Blogger lidianeves said...

Menina!

Aqui em Madri tudo está em promoção!!! As famosas rebajas te dão a possibilidade de comprar uma calça jeans ou social da Mango ou da Zara por 10 euros (sim, 30 reais!!), blusinhas por seis euros (18 reais!), vestidos e saias idem.

Para mim, consumismo nunca foi um problema. Muito pelo contrário. Agora eu comprei porque realmente, depois de 2 anos sem comprar - ou mais, porque as roupas que eu trouxe já não eram novas -, algumas aquisições se fazem necessárias.

Não se preocupe com sua feminilidade. Acho que preferir viajar e conhecer lugares e pessoas a ter um montão de roupas é só uma questão de prioridades! E estou com você!

Bjos.

5:16 AM  
Blogger Drica <* *> said...

Martovisk... isso eh sinal de maturidade. Otimo alias, porque gastar dinheiro a toa nao rola. Ainda bem que nao tenho esse problema. Mas tenha certeza que um dos grandes motivos esta centrado na sua bagagem de volta para o Brasil... pagar volume extra eh o cumulo hehehe. Saudades. Bejitoss da Drica <* *>

10:35 PM  
Blogger Frontera said...

Raq
Nao te acho tao consumista assim, mas mao de vaca voce e sim, por isso a gente sempre se entendeu.
Beijos

Catia
Que bom que vc gosta do blog, obrigada! Olha, sei muito pouco de Mississauga, mas vou entrar em contato com voce
Beijos

Lidia
Voltaria a ser mais consumista se achasse roupas da Mango por 6 euros, hehehehehehe
Lave a egua e se mate nas rebajas antes de voltar ao Brasil.
Beijos

Drica
Quando a Noya voltou ao Brasil, eu fui com ela ao aeroporto. Ela deixou uma porrada de coisas comigo e mesmo assim quase pagou excesso de bagagem. Teve que abrir a mala no meio do saguao e deixar um edredom com um amigo.
Morro de medo de pagar excesso de bagagem.
Beijos

1:00 PM  

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