terça-feira, agosto 30, 2005

Barba e cabelo

Fui cortar o cabelo hoje, pela terceira vez aqui no Canadá. O lugar aonde vou é uma biboca num bairro simples perto de casa, área de imigrantes africanos e asiáticos, principalmente. A tiazinha, que corta, faz escova, limpa, cozinha, assiste filme e fala no telefone ao mesmo tempo, deve ser vietnamita ou algo parecido, e cobra $8. Como em frente a nossa casa custa $18, não tenho dúvidas de caminhar as três quadras até o lugar.

Mas não é só pela economia que vale a pena ir lá. O lugar é uma confluência de gente de tudo quanto é lugar desfilando figurinos e hábitos estranhíssimos. Sempre volto de lá com alguma cena curiosa na cabeça. Pra começar, os negros, africanos ou não, têm um cabelereiro só para eles - um tiozinho grisalho, de boné, que fica fumando enquanto não chega ninguém. Chegam os caras lá e dão a instrução: máquina aqui e ali, faz o topo reto, rapa tudo, risca uns desenhinhos aqui na lateral, etc., e o cara manda ver.

Enquanto espero hora inteira a minha vez (isso com otimismo), passam árabes, paquistaneses, sudaneses, etíopes, filipinos, indianos e tudo mais por lá. Chegam famílias inteiras atrás do pai, todos cabisbaixos, as meninas com véus cobrindo a cabeça, algumas mulheres com véu no rosto. Chegam mulheres enormes falando alto, prontas pra dar um barraco, reclamando do atraso, da fila, do bonde, e comentando da separação da Jennifer Aniston e do Brad Pitt. Chega uma galera que só sabe pedir pra cabelereira cortar "curto", porque o inglês também é curto.

Hoje, chegou um velhinho asiático, de boné, meia e sandália, com uma sacola amassada de supermercado na mão e um tupperware dentro, cara de mal-humorado. Entrou e falou:
- Maumenhonhéiainhon, mé...
Achei que ele estava tentando começar a falar alguma coisa, ensaiando uma pergunta. Mas não, aquilo foi vietnamita, ou algo do gênero, porque a cabelereira respondeu de pronto:
- Nhónhé.

É um entra e sai de gente, todos se cumprimentam, perguntam do filho, do vizinho, da mãe, do cachorro que fugiu. É um daqueles salões de barbeiro nossos, com seus causos pitorescos. Divertido. E barato.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

O lugar deve ser imperdível. Você cortou o cabelo agora, o Elói ontem em Londres. Gostaria de ver como é o salão de lá... Do jeito que o Elói está economizando, deve ser mais estranho que o seu.

beijos

5:18 PM  
Anonymous Anônimo said...

Imagino o lugar onde vc cortou o cabelo como um lugar folclórico.
É bom que vc freqüente um poco mais esse salão inter-racial

beijos

7:44 PM  

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