terça-feira, janeiro 31, 2006

Aqui versus lá

Cá estamos nós novamente, entre malas, caixas de papelão e salas vazias. Aquela dor misturada com euforia está de volta um ano depois da nossa despedida de São Paulo. Novamente estamos deixando amigos queridos para trás e aprendendo a conviver com o sentimento que todo estrangeiro carrega para sempre: a saudade. Não importa onde você esteja, ela sempre vai estar lá, te machucando mas também te lembrando que você é forte.

Outro dia, eu estava vendo a novela e vi a personagem Maria do Carmo soltando esta:

- Lugar de brasileiro é no Brasil!

Fiquei parada por alguns segundos, sem reação. Quis xingar aquela sem noção, brigar com a TV como fazem as velhinhas quando o vilão faz alguma maldade. Aí me lembrei da opinião de uma amiga que deixou o Brasil há muitos anos.

- Não entendo como uma pessoa pode ficar a vida inteira sem nunca sair do Brasil!

Foi aí que me dei conta que, nessa briga, não há certo nem errado. Sempre existirão aqueles que julgam cruelmente aqueles que escolheram outro país para viver, como fizeram com meus pais. E sempre haverá gente no exterior que olha com ar de superioridade para os que estão no Brasil.

Nesse embate infantil e silencioso, eu não fecho com ninguém. Se o simples ato de viajar ensinasse alguma coisa, a Paris Hilton seria um poço de sabedoria. Se morar fora fosse tão transformador como se pensa, eu não teria encontrado tantos idiotas vivendo aqui há anos. Há pessoas que nunca precisaram atravessar qualquer fronteira para aprender as coisas que estou aprendendo. Elas têm seu ritmo próprio, sua maneira particular de ver a vida e isso as torna especiais. E tem o Chico, que nunca precisou pisar na Hungria para escrever Budapeste.

Outro dia, conversando com uma amiga, contei do medo que senti durante uma turbulência terrível num vôo entre La Paz e São Paulo.

- Ai, eu adoro!
- Quê?
- Eu adoro pegar turbulência, acho uma delícia!

Novamente me senti sem reação. Como uma pessoa pode gostar de vôo turbulento? Mas é isso aí, tem de tudo nesse mundo. Tem gente que sonha com um safári na África. Outros só querem um feriado prolongado num sítio. Tem ainda aqueles que só querem uma cama e o controle remoto nas mãos.

Nós dois aqui só pensamos em viajar. De avião, de carro, de ônibus, de trem, de mula, não importa. Não descartamos a possibilidade de morar por mais tempo fora do Brasil, mesmo que isso nos torne alvo de críticas da turminha da Maria do Carmo.
E querem saber? Não me importo mais com isso. Sempre haverá chiadeira, de qualquer lado. O que importa mesmo é que aqui do nosso lado a gente vai estar sempre feliz.

6 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Também adoro turbulência, Marta, como sua amiga. Ah, e adoooooro viajar! Amo... assim como amo o Brasil com tudo de bom e de ruim!
Boa viagem pra vcs e cuidem-se!

12:35 PM  
Anonymous Anônimo said...

"Aqui vesus lá"
É!; aquí, todos na torcida p/que vcs tenham uma bôa viagem. Lá, vcs na maior turbulencia preparando-se p/a viagem. Deus os abençõe, e que os novos horizontes os renove.
Boa viagem e recebam de todos nós muitos beijos

3:06 PM  
Anonymous Anônimo said...

Mas me diz, da sua experiência, vc se arrependeu de deixar o Brasil para viver fora??

1:20 PM  
Anonymous Anônimo said...

Suas palavras e sentimento são lindos, boa sorte na viagem.
Parabéns pelo artigo!

2:13 PM  
Anonymous Anônimo said...

Pois é Lú, tem até quem goste do Skank!! Vix, que fora, só eu não gosto! Refazendo, tem até quem não goste do Skank!! Que bom que vcs vão viajar e conhecer tantos lugares agora, sendo que isso é o que vcs querem fazer. Eu faria isso uns anos atrás, mas confesso que hoje me sinto mal quando estou a uma distância maior de 50 km de meus filhos, então fica mais difícil. Boa sorte pra vcs!!!!

5:06 PM  
Blogger Lucix said...

MMos, como eh que vc estao? Mandem noticias! :)

2:15 PM  

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